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Publicações

Congresso CEFI - Livro de Resumos

Livro de Resumos

Porto Alegre, 28 a 30 de setembro de 2017
Hotel Embaixador
Realização:

Centro de Estudos da Família e do
Indivíduo
Asociación Psicológica
Iberoamericana de Clínica y Salud

Comissão Organizadora:
Adriana Zilberman
Mara Lins
Comissão Científica:
Coordenação
Crístofer Batista da Costa

Membros
Anelise Schaurich dos Santos
Cibele Carvalho
Karla Rafaela Haack
Mariana Rodrigues Machado
Marina Zanella Delatorre
Michele Terres Trindade
Suzana Catanio dos Santos Nardi

O EXERCÍCIO PARENTAL NO PÓS-DIVÓRCIO: A PERSPECTIVA DAS CRIANÇAS
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Autores: Ângela Roos Campeol, Juliana Marion, Anelise Foletto Araújo, Caroline Rubin Rossato
Pereira
Instituição: Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
E-mail para contato: angela13_07@hotmail.com
Resumo
Importantes mudanças marcaram as famílias desde as últimas décadas do século passado. Dentre
os diversos fatores que contribuem para as novas configurações familiares está a separação
conjugal. A separação conjugal acarreta uma série de negociação frente aos papéis e funções
ocupados pelos membros da família, contudo, não deve alterar a vinculação entre pais e filhos.
Neste contexto, apesar da ruptura da relação conjugal, pai e mãe devem continuar a existir como
uma "dupla parental". A coparentalidade assume, então, um espaço fundamental no
desenvolvimento saudável da criança. O exercício da coparentalidade requer a interlocução dos
pais sobre seus papéis e responsabilidades, configurando-se como uma preocupação conjunta pelo
bem-estar global da criança. Assim, este estudo buscou compreender as percepções das crianças
sobre a separação dos pais e identificar como se mantém as relações mãe-criança e pai-criança no
pós-divórcio. O estudo teve caráter qualitativo e exploratório, sustentado na Sistêmica Familiar.
Participaram da pesquisa quatro crianças, entre seis e onze anos, cujos pais estabeleceram
formalmente o divórcio. Como instrumentos foram utilizados o Questionário de Dados
Sociodemográficos com as mães, e o Procedimento de Desenho-Estória com Tema e a Entrevista
Semiestruturada com as crianças. A partir da análise de conteúdo, as entrevistas revelaram que os
homens permanecem pouco acessíveis aos cuidados diários dos filhos no pós-divórcio. Por vezes,
houve a interferência dos papéis conjugais no exercício parental, em que a corresponsabilidade foi
sobreposta por uma dinâmica conflituosa do ex-casal. Nos desenhos houve a ausência da figura
paterna, o que pode alertar para um distanciamento entre eles. Observou-se, em alguns casos, que
a nova união dos pais também pode afetar o desempenho das funções parentais, quando o novo
integrante da família se apresenta como alguém que substitui a figura parental. Por fim, esta
pesquisa se propôs a refletir sobre o melhor interesse da criança.
Palavra-chave: separação conjugal; coparentalidade; crianças.
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AS RELAÇÕES PARENTAIS NO CONTEXTO DA SEPARAÇÃO CONJUGAL:
UM ESTUDO DE CASO
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Autores: Caroline de Abreu Prola Fristch, Caroline Rossato Pereira, Graciela Coelho
Instituição: Faculdade Integrada de Santa Maria - FISMA
E-mail para contato: carolprolla@yahoo.com.br
Resumo
O presente estudo objetivou investigar a compreensão das crianças acerca da separação conjugal
de seus pais, contextualizando-as nas relações parentais estabelecidas. Realizou-se um estudo
exploratório qualitativo composto por estudo de casos múltiplos com três famílias de crianças com
seis anos, cujos pais estavam separados conjugalmente há no máximo dois anos. Para o
levantamento de dados com as crianças, foram utilizados os seguintes instrumentos projetivos:
Teste das Fábulas – versão pictórica e o procedimento de Desenhos de Família com Estórias. Os
pais foram acessados individualmente para uma Entrevista de Dados Sociodemográficos e uma
Entrevista sobre a Separação Conjugal e os Filhos. Com base nos dados, foi possível perceber
diferenças na percepção das crianças a respeito dos significados que as relações parentais
assumiram no contexto do pós-divórcio. Para dois dos participantes, aos pais foi destinada uma
posição caracterizada pela afetividade, ao passo que para três deles a figura das mães ocupava
uma posição de conflito. De modo singular, neste estudo, para uma criança a figura materna foi
compreendida pelos filhos como continente, ocupando o lugar do cuidado. Entende-se que as
possíveis repercussões para a criança da separação dos pais podem se manifestar através de
desorganizações emocionais, no entanto a qualidade do apego entre as figuras parentais e as
crianças atua como mediadora no momento de grandes mudanças, que se constitui a separação,
caracterizando a desorganização emocional da criança como transitória ou esperada para o
momento de crise que a família vivenciou. Uma vez que, mesmo com o envolvimento, afeto e
preocupação dos pais, o evento da separação conjugal pode gerar medo e ansiedade na criança,
pois ela se encontra em uma posição passiva sobre os eventos posteriores à decisão de separação.
Palavra-chave: crianças; separação conjugal; pais.
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HABILIDADES SOCIAIS E DE ENFRENTAMENTO COM USUÁRIOS DE CRACK:
INTERVENÇÃO E MEDIDAS DE EFEITO TERAPÊUTICO
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Autores: Leda Rúbia Maurina Coelhom, Marina Alves Dornelles, Dhiordan Cardoso da Silva,
Margareth da Silva Oliveira
Instituição: Universidade Luterana do Brasil - ULBRA, Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul - PUCRS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS
E-mail para contato: ledarubia@yahoo.com.br
Resumo
Habilidades sociais (HS) são o conjunto de comportamentos do repertório do indivíduo para
responder adequadamente às demandas interpessoais. No contexto clínico-terapêutico da
dependência química, o termo habilidades de enfrentamento (HE) é descrito como as habilidades
de um indivíduo para enfrentar situações de alto risco de consumo de drogas. OBJETIVO:
Descrever se houveram mudanças no repertório de HS, HE e auto eficácia (AE) para abstinência
de drogas após o término de um programa de treinamento e no seu follow-up de três meses. Tratase
de um estudo quase-experimental com medidas pré e pós-intervenção. A amostra é composta
por 32 participantes com Transtorno Relacionados a Estimulantes, internados em comunidades
terapêuticas. Os instrumentos utilizados foram: Escala de auto eficácia para abstinência de
drogas/DASE; Inventário de Habilidades de Enfrentamento Antecipatório para a abstinência de
Álcool e outras Drogas/IDHEA-AD; Inventário de Habilidades Sociais/IHS. O Treinamento de
Habilidades Sociais e de Enfrentamento – TSHE demonstram que houve aumento no escore total
e nos fatores da DASE. O Fator 3, indicou que a intervenção propiciou aumento na auto eficácia
para abstinência de drogas (p<0,001). Os escores do IHS mantiveram-se inalterados
estatisticamente (p=0,839). Os escores total do IDHEA-AD (p<0,001) após o treinamento, os
Fatores 1 e 2, apontaram um repertório abaixo da média e um repertório elaborado acima da média.
O Fator 3 apresentou bom repertório no pós-treinamento e se manteve no follow-up. Os
participantes de TSHE apresentaram aumento significativo nos escores da auto eficácia para
manutenção da abstinência e do autocontrole emocional. Os resultados relacionados às HE
assertivas para recusa e expressão de sentimentos oscilaram ao longo do tratamento. Pode-se
dizer que a intervenção viabilizou o treino de habilidades enfocadas e auxiliou para a identificação
das dificuldades dos participantes além de favorecer o conhecimento e a relevância do
desenvolvimento de programas de THSE para usuários de crack.

Palavras-chave: habilidades sociais; habilidades de enfrentamento; crack; relação terapêutica.
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NARRATIVAS DE MÃES CHEFES DE FAMÍLIA:
MULHERES PLURAIS E FAMÍLIAS SINGULARES
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Autores: Fabiana Verza, Marlene Neves Strey
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
E-mail para contato: fabianaverza@hotmail.com
Resumo
O presente trabalho é um recorte de uma tese de doutorado que investigou a monoparentalidade
feminina desde a perspectiva de gênero e da terapia familiar. Realizou-se uma análise crítica da
monoparentalidade feminina, procurando destacar a inter-relação entre o contexto e o processo de
estruturação das famílias chefiadas por mulheres no ambiente micro e macrossocial, a partir da
abordagem ecológico-sistêmica. Trata-se de um estudo com enfoque qualitativo e delineamento
exploratório-descritivo. Este trabalho investigou a percepção de mulheres chefes de família acerca
da monoparentalidade feminina desde uma perspectiva micro e macrossocial. Foram entrevistadas
dez mulheres chefes de família, de nível sócio econômico médio, com idades divididas entre 30 e
39; 40 e 50 e 51 e mais de 60 anos. Os dados foram coletados através de entrevista individual
semiestruturada, e os tópicos utilizados no roteiro buscaram compreender como questões de
gênero se expressam em suas ações e atitudes e se interconectam com o contexto familiar, social
e cultural. Foi utilizada a Análise Crítica de Discurso seguindo uma abordagem sistêmica e
enfatizando os micro e macro elementos presentes nos discursos. Os resultados apontaram uma
interação discursiva entre os micro (dinâmica e funcionamento) e macro (aspectos sociais e
contextuais) elementos do discurso revelando, sob a crítica de gênero, a existência de aspectos
favoráveis e desfavoráveis associados à chefia familiar feminina na contemporaneidade. Concluise
que existe uma alta sensibilidade aos modelos prescritivos patriarcais de família uma vez que os
discursos se constroem sobre a nostalgia da família perdida por um lado, e por outro, observa-se
um esforço para romper com tais ideais e desconstruir preconceitos e paradigmas cristalizados na
sociedade.
Palavra-chave: monoparentalidade feminina; gênero; família.
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A APLICABILIDADE DA GUARDA COMPARTILHADA:
O OLHAR DOS ACADÊMICOS DE DIREITO
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Autores: Gabriela Clerici Christofari, Dorian Mônica Arpini
Instituição: Universidade Federal de Santa Maria – UFSM
E-mail para contato: gabizinha_christofari@hotmail.com
Resumo
Entende-se a instituição familiar como o local primordial para o desenvolvimento dos indivíduos,
assim como se percebe o estudo das relações familiares essencial para o entendimento da vida em
sociedade. Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa,
que buscou compreender qual o entendimento de acadêmicos do curso de Direito a respeito da
dinâmica familiar na atualidade, da guarda compartilhada e de sua aplicabilidade. A abordagem
teórica utilizada foi interdisciplinar, buscando subsídios na área do Direito, em especial do Direito
de Família e da Psicologia, com suporte na compreensão da dinâmica familiar a partir da teoria
psicanalítica. Fizeram parte deste estudo oito acadêmicos, dos cursos de Direito, diurno e noturno,
de uma Universidade Pública de Ensino Superior, que cursaram a disciplina de Direito de Família
no último semestre em que seus cursos a ofertaram. A pesquisa foi de cunho qualitativo e realizouse
através de entrevistas semiestruturadas de questões abertas. A análise dos dados deu-se
através da análise de conteúdo. Os resultados apontam que, para os participantes do estudo, a
diferenciação entre parentalidade e conjugalidade no contexto pós-divórcio é um movimento difícil
de ser compreendido pelo casal parental, além de ser complexo de ser colocado em prática. Além
disso, os dados mostram que o principal entendimento dos acadêmicos sobre a guarda
compartilhada é a necessidade de compartilhamento das responsabilidades entre os pais. Ainda,
os participantes questionam a efetividade da modalidade de guarda em questão, trazendo algumas
restrições quanto à sua aplicabilidade. Ademais, nota-se a importância de estudos que tenham
como participantes outros atores e contextos sociais, de modo a relativizar os possíveis
atravessamentos que foram apontados. Ainda, percebe-se a relevância de trabalhos
interdisciplinares em casos que envolvem questões familiares, de modo a alcançar uma abordagem
complexa e sistêmica das situações.
Palavra-chave: divórcio; guarda compartilhada; relações familiares.
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BOA PERCEPÇÃO DE SUPORTE FAMILIAR: FATOR DE PROTEÇÃO AO SURGIMENTO DE
SINTOMAS PSICOFUNCIONAIS EM BEBÊS DE MÃES ADOLESCENTES GAÚCHAS
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Autores: Gabriela Nunes Maia, Daniela Centenaro Levandowski
Instituição: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA
E-mail para contato: gabisnmaia@gmail.com
Resumo
O surgimento de sintomas psicofuncionais (SP) - tema pouco estudado na literatura nacional e
internacional – representa uma disfuncionalidade na vida do bebê, que pode estar relacionada tanto
à relação da díade mãe-bebê, como a aspectos da dinâmica da família ampliada. Nesse estudo
buscou-se analisar em que medida o ambiente da dupla mãe jovem-bebê, representado pelo pai do
bebê e pela família de origem da jovem, pode atuar como fator de proteção ou risco para o
desenvolvimento do bebê, indicado pela presença ou ausência de SP. Realizou-se uma pesquisa
transversal, de cunho misto, com seis mães jovens (M=17; DP=1,67) e seus bebês (M=9; DP=3,34).
Todas mantinham relacionamento amoroso com o pai do bebê e não apresentavam sintomas
depressivos (Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo). Utilizou-se uma Ficha de Dados
Demográficos, o Symptom CheckList (avaliação de SP), a Escala Revisada de Ajustamento
Conjugal (R-DAS; avaliação do ajustamento conjugal), o Inventário de Suporte Familiar (IPSF;
percepção de apoio da família) e uma entrevista semiestruturada sobre a maternidade. Metade dos
bebês apresentava algum tipo de SP. Os bebês cujas mães apresentaram uma percepção positiva
do suporte familiar (IPSF; escore médio-alto ou maior), mesmo na presença de uma relação
amorosa considerada ruim (R-DAS; ajustamento conjugal ruim), não apresentaram SP. Dessa
forma, a satisfação da mãe jovem em relação ao suporte familiar parece ser um fator de proteção
ao surgimento de SP no bebê. Tal constatação foi reforçada pelas falas das jovens, que referiram
receber ajuda da própria mãe, da mãe do companheiro, do pai e de irmãos para o cuidado do bebê,
o esclarecimento de dúvidas e a tomada de decisões econômicas e profissionais. Tais achados
salientam a importância da família ampliada para a adaptação das mães jovens às múltiplas
demandas da conjugalidade e da maternidade, para que possam promover o desenvolvimento
psíquico saudável do bebê.
Palavra-chave: maternidade adolescente; sintomas psicofuncionais; suporte familiar;
relacionamento amoroso.

A ARTICULAÇÃO ENTRE O DOMÍNIO DA FAMÍLIA E DO TRABALHO EM EXECUTIVOS
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Autores: Gabriela Techio, Manoela Ziebell de Oliveira
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS
E-mail para contato: gabriela.techio@gmail.com
Resumo
Ao longo do ciclo vital os indivíduos ocupam diferentes papeis. Com as diversas funções que se
sobrepõem, acredita-se que os eles terão dificuldades para conciliar os domínios em que são
membros. A conciliação seria mais difícil para indivíduos casados, com filhos e que ocupam cargos
executivos nas organizações, pois há um aumento das demandas na família e no trabalho. Diante
disso, foi realizada uma pesquisa qualitativa para compreender como indivíduos em carreiras
executivas dentro de organizações privadas percebem e lidam com o conflito entre trabalho e
família. A amostra foi composta por oito profissionais casados e com pelo menos um filho. Foram
utilizados um questionário sociodemográfico, um instrumento denominado “pizza da estrutura de
vida” e uma entrevista semiestruturada. Os dados foram analisados de acordo com o método
fenomenológico-semiótico. Os resultados ressaltaram a presença dos estereótipos de gênero na
experiência do conflito entre trabalho e família e a importância atribuída ao trabalho e ao papel
parental. A falta de tempo foi descrita como a maior fonte de conflito entre os domínios. Entretanto,
mesmo com dificuldades e prejuízos, os participantes percebem a conciliação entre as esferas com
algo natural. Como estratégias de conciliação, os indivíduos contam com o suporte de familiares,
da organização em que trabalham e fazem uso de serviços especializados. Os resultados
mostraram um esforço dos entrevistados para separar temporal e espacialmente os domínios da
família e do trabalho, porém no cotidiano existia uma integração entre eles. Apesar do estudo não
ser generalizável, ele permite uma melhor compreensão do fenômeno do conflito trabalho e família
no contexto brasileiro.
Palavra-chave: conflito; papeis; trabalho; família.
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FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO OBSERVADAS EM RESIDENTES DE UMA
COMUNIDADE TERAPÊUTICA
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Autores: Ingrid Schenkel, Carmem Giongo
Instituição: Universidade Feevale
E-mail para contato: ingridschenkel@yahoo.com.br
Resumo
Atualmente, o consumo de substâncias psicoativas está disseminado por todas as classes sociais,
faixas etárias e culturas, tornando-se um grave problema de saúde pública em todo o mundo. Diante
disso, esta pesquisa teve o propósito de identificar fatores de risco e de proteção observadas a
partir dos atendimentos psicológicos realizados em dependentes químicos de uma comunidade
terapêutica no interior do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma pesquisa qualitativa descritiva, com
técnica de observação participante, registrada em diário de campo durante os atendimentos e logo
após transcrita, sendo também realizada uma entrevista semiestruturada com a psicóloga do local
em outro momento. Todos os dados obtidos foram considerados a partir da análise de conteúdo
proposta por Minayo (2007). Nesta pesquisa foi obtido consentimento verbal de todos os envolvidos,
porém foi mantido em sigilo a identificação dos mesmos. Os resultados foram analisados a partir
dos relatos dos residentes, identificando-se como principais fatores de risco os relacionamentos
interpessoais e familiares, assim como déficits em habilidades sociais, mostrando que há grande
influência da família e dos amigos em ambientes propícios ao uso, e destacando-se as dificuldades
de expressão de sentimentos, respectivamente. Já para os fatores de proteção foram apontados
principalmente a fé, e os atendimentos psicológicos, que se mostram importante justamente pela
motivação que é gerada a partir do grupo, e pela importância da psicoeducação quanto ao
autoconhecimento, a doença e ao desenvolvimento de estratégias a fim de melhorar a qualidade
de vida e de tratamento dos residentes. Assim, conclui-se que se mostra importante entender esses
fatores, pois o que para alguns pode ser um fator protetivo, para outros pode ser considerado
ameaça. E a partir dessa identificação possibilitar intervenções efetivas, ampliar os fatores de
proteção e melhorar estratégias de enfrentamento dos indivíduos em tratamento para reduzir os
índices de recaída.
Palavra-chave: dependência química; comunidade terapêutica; fatores de risco; fatores de
proteção.
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PROBLEMAS EMOCIONAIS E DE COMPORTAMENTO NA ADOLESCÊNCIA:
PADRÕES DE CONCORDÂNCIA ENTRE MÃES E FILHOS
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Autores: Jade Wagner Bernardes, Angela Helena Marin
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
E-mail para contato: jadewbernardes@gmail.com
Resumo
Problemas emocionais e de comportamento são prevalentes entre adolescentes, o que ressalta a
importância da sua identificação visando-se a prevenção de quadros clínicos. Para entender o
fenômeno de forma sistêmica, faz-se necessário contemplar múltiplos informantes. Assim,
objetivou-se avaliar a concordância entre mães e filhos adolescentes quanto aos indicadores de
problemas emocionais e de comportamento destes últimos e comparar indicadores de
ansiedade/depressão, isolamento/depressão, queixas somáticas, problemas sociais, problemas de
pensamento, problemas de atenção, comportamento desviante e comportamento agressivo, visto
que estudos atuais têm priorizado análises globais que contemplam apenas os escores totais de
problemas. Trata-se de um estudo correlacional e comparativo, de corte transversal e abordagem
quantitativa, do qual participaram 95 adolescentes com 11 a 18 anos (M = 13,75; SD= 1,39) e suas
mães, totalizando 190 participantes. Os instrumentos utilizados foram o Inventário de
Comportamentos para Crianças e Adolescentes entre 6 e 18 anos e o Inventário de Auto avaliação
para Adolescentes de 11 a 18 anos. Para avaliar a concordância entre mães e filhos, utilizou-se o
índice Kappa de Cohen ponderado, que revelou concordância considerável em comportamento
agressivo (k = 0,36; p = 0,001), problemas externalizantes (k = 0,32, p = 0,002) e total de problemas
(k = 0,22, p = 0,03). A correlação de Spearman indicou correlação positiva fraca-moderada entre a
percepção de mães e adolescentes nas escalas isolamento e depressão (r = 0,28; p < 0,01),
problemas sociais (r = 0,26; p < 0,05), problemas de pensamento (r = 0,28; p < 0,05),
comportamento desviante (r = 0,26; p < 0,05), comportamento agressivo (r = 0,43; p < 0,01),
problemas externalizantes (r = 0,39; p < 0,01), total de problemas (r = 0,34; p < 0,01). Os dados
revelam que os padrões de concordância correspondem a indicadores externalizantes,
majoritariamente, sugerindo que as mães tendem a perceber mais tais sintomas e, menos
expressivamente, os internalizantes, o que pode estar relacionado a características como
retraimento. Esse entendimento é corroborado pelas correlações. Ainda assim, são concordâncias
e correlações apenas moderadas, sugerindo uma possível falta de coesão entre mães e filhos, que
pode estar relacionada a adolescência e direcionamento aos pares.
Palavras-chave: problemas emocionais e de comportamento; múltiplos informantes; adolescentes.
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AS INTERFACES DO PROCESSO DE RESILIÊNCIA COM FAMÍLIAS EM ATENDIMENTO
PSICOLÓGICO
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Autores: Jessamine Souza de Melo, Patricia Romani, Ricardo Cunha
Instituição: Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul - FADERGS, Hospital Santa
Casa
E-mail para contato: jessamine.souza@gmail.com
Resumo
O estudo apresenta aspectos abordados na investigação sobre as interfaces do processo de
resiliência com famílias. A resiliência familiar se refere à maneira como o grupo familiar supera as
adversidades. Estudos referem-na como a capacidade de enfrentar as dificuldades e superar as
situações de crise (WALSH, 2003). Este estudo teve como objetivo analisar a percepção das
terapeutas no processo de resiliência das famílias atendidas. Foi realizada uma pesquisa qualitativa
de casos múltiplos através de entrevista semiestruturada com três terapeutas. As informações foram
categorizadas e interpretadas através da análise de conteúdo temática, pautada nos referenciais
da psicologia positiva e da terapia sistêmica. As categorias foram: Percepção geral da família,
Situações de crise\adversidade, Domínios da resiliência familiar, e Visão do terapeuta frente à
resiliência da família. Histórico familiar de transtornos mentais, lutos e tentativa de suicídio foram os
principais fatores de risco encontrados. (WALSH, 2005) Destacaram-se como fatores de proteção
à procura de ajuda profissional e as mudanças de comportamento. As terapeutas não diferenciaram
resiliência individual da familiar e não identificaram elementos que a evidenciassem nas unidades
analisadas. O estudo da resiliência familiar orienta as intervenções para fortalecer a família na
medida em que os problemas são solucionados. Entretanto, esta abordagem vai além da resolução
de problemas, visando a prevenção e a preparação para o enfrentamento de desafios futuros. Os
domínios de resiliência familiar funcionam como um mapa útil para orientar as famílias e as
terapeutas e proporcionar coerência no planejamento da intervenção (RUTTER, 1999 e YUNES,
2003). Ao mesmo tempo em que se percebe o valioso potencial da resiliência familiar dentro da
perspectiva sistêmica e da psicologia positiva, considerando-se as singularidades e o contexto em
que a família está inserida, é possível constatar a carência de trabalhos acerca deste tema,
principalmente estudos empíricos.
Palavra-chave: resiliência; família; terapia.
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EXPERIÊNCIAS NA FAMÍLIA DE ORIGEM E VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA EM CASAIS
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Autores: Josiane Razera, Denise Falcke
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
E-mail para contato: josianerazera@imed.edu.br
Resumo
A violência, em especial a psicológica, tornou-se uma forma usual de resolução de conflitos
conjugais. Buscando compreender possíveis preditores desse comportamento, já se encontram
evidências científicas de que o contexto familiar de origem está ligado aos relacionamentos
violentos. Frente a isso, o objetivo foi investigar quais comportamentos familiares predizem a
ocorrência de violência psicológica cometida por homens e mulheres. Foram pesquisados 608
indivíduos heterossexuais, casados ou em união estável. Trata-se de uma pesquisa quantitativa e
explicativa. Os participantes responderam a escala de violência CTS2 (Conflict Tactics Scale) e as
subescalas do FBQ (Family Background Questionnaire). Realizaram-se análises de regressão
(stepwise) através do SPPS (22.0). Os resultados revelaram que o modelo foi significativo (R2 =
0,239; p < 0,001) sendo que a violência psicológica cometida pelas mulheres obteve associação
com abuso sexual sofrido na infância (t = -3,747; p = 0,000), abuso de substância paterno (t = -
2.103; p = 0,036), desajustamento psicológico paterno (t = 2.645; p = 0,009) e coalizão parental (t
= 2.584; p = 0,010). Essas variáveis explicaram aproximadamente 23% da violência psicológica
cometida pelas mulheres desta pesquisa. No que trata da violência psicológica cometida pelos
homens, o modelo de regressão (R2= 0,095; p = 0,001) apontou que ter vivenciado negligência
física na infância (t = -2.048; p = 0,001) e o desajustamento psicológico materno (t = 2.818; p =
0,005) tiveram poder preditivo de 9% da violência psicológica que os homens cometem. Os
resultados permitem referir que as experiências vivenciadas nas famílias de origem podem estar
relacionadas com a forma com que os indivíduos se relacionam em suas conjugalidades. Outro
resultado importante é que se revelam algumas identificações com o comportamento da figura
parental do sexo oposto. Esses dados podem auxiliar na compreensão dos casos de violência
conjugal e, em especial, pensar em programas de prevenção.
Palavra-chave: violência; violência psicológica; casamentos; família.
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“DEIXEI O NÃO EM CASA”
PUBLICIDADE MACHISTA E O MACHISMO NA PUBLICIDADE
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Autores: Lucas André Borges Hlavac, Vanessa Ruffatto Gregoviski, Waleska Maffei
Instituição: Centro de Estudos da Família e do Indivíduo - CEFI, Universidade do Vale do Rio dos
Sinos - UNISINOS; Universidade de Passo Fundo – UPF.
E-mail para contato: hlavaclucas@hotmail.com
Resumo
Segundo Instituto Patrícia Galvão, 65% das mulheres nāo se identificam com a maneira que sāo
retratadas na publicidade. Não é difícil imaginar o porquê, departamentos de criação são
praticamente um reduto masculino, sendo as mulheres relegadas aos de atendimento. A falta de
uma perspectiva feminina acaba por reforçar estereótipos perigosos, como o da “mulher objeto”,
incentivando e habilitando a violência contra a mulher. Cada vez mais existe um levante contra esse
machismo, abrindo oportunidade para discutir a igualdade de gênero e o empoderamento feminino.
A partir de análise documental, propôs-se discutir teoricamente propagandas midiáticas que
objetificam a mulher, e as suas consequências na psique e na saúde das mesmas. Buscou-se
refletir sobre quais as repercussões sociais da perpetuação de estereótipos. Foi feito um
levantamento de como a mulher, ou aspectos tidos como femininos, são retratados através de
propagandas que puderam ser encontradas em sites de busca públicos. A análise teórica foi
realizada a partir de livros ou periódicos online. Os dados encontrados revelaram que, em sua
maioria, a mulher como protagonista se encontra em propagandas cujos produtos se destinam ao
cuidado do lar ou embelezamento. A publicidade voltada ao público masculino, em especial com
temas esportivos ou de bebidas alcoólicas, também faz uso da imagem feminina, porém como um
atrativo ao grupo alvo, colocando a mulher como um escambo que virá ao adquirir o item, ou como
uma peça decorativa que atrai olhares masculinos, reduzindo-a a um “pedaço de carne”. Pensa-se
que esses aspectos afetam diretamente a saúde mental do indivíduo, alterando, inclusive, as formas
como se percebem ou as perspectivas que têm para si mesmos. A publicidade voltada para reduzir
a mulher a um mero atrativo masculino torna-se um ponto alvo quando estudamos questões de
perpetuação de características de gênero, misógina e violência contra a mulher.
Palavra-chave: saúde mental; violência contra a mulher; publicidade; abordagem multidisciplinar.
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AS INFLUÊNCIAS DOS MODELOS DE APEGO NO PROCESSO DE LUTO
DE ADULTOS JOVENS
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Autores: Mariana Sanseverino Dillenburg, Mariana Bortoncello Filippin, Lisandra Lopes Barbosa
Instituição: Centro de Estudos da Família e do Indivíduo – CEFI
E-mail para contato: mariana.dillenburg@gmail.com
Resumo
O luto é um processo natural enfrentado durante diversos momentos da vida, configurando uma
evolução saudável realizada pelo indivíduo para elaborar aquela perda e readaptar-se à vida. A
forma como o sujeito enfrenta esse processo recebe bastante influência dos seus modelos de apego
internalizados. Estes modelos são desenvolvidos na infância e determinados pela relação que o
cuidador estabelece com a criança, visando construir uma base segura para ela ser acolhida e
conseguir explorar o mundo. Déficits importantes nessa fase da vida resultam no desenvolvimento
de apego inseguro. O objetivo deste trabalho foi compreender a influência dos modelos de apego
observados no processo de luto de três adultos jovens de uma clínica escola que perderam suas
mães. Utilizou-se a metodologia de estudo de casos múltiplos não sistemático com eixo
interpretativo dos modelos de apego e das tarefas do luto. Os resultados apontaram que a paciente
que demonstrou ter um apego seguro conseguiu fazer uma readaptação à perda de forma mais
satisfatória e natural em comparação às outras duas pacientes que apresentavam apego inseguro.
Uma destas, pelo tipo de apego inseguro e dificuldade em expressar seus sentimentos, realizava
atitudes autodestrutivas que a colocavam em risco e que podem levar a um luto complicado. No
terceiro caso também foi observado um tipo de apego inseguro que, apesar da paciente estar
conseguindo realizar seu processo de luto, elevou significativamente o nível de ansiedade dela
diante da readaptação à vida. Estes achados foram pertinentes com os apontados pela literatura,
reforçando a influência desses modelos de apego no luto. Como limitações destacam-se a presença
de apenas observações clínicas, sem aplicação de instrumentos e a variação de tempo desde a
perda. Por fim, sugere-se a realização de mais estudos nessa área, pois contatou-se uma escassez
de artigos científicos sobre o luto parental de jovens adultos.
Palavra-chave: luto; ciclo vital; tarefas do luto; apego.
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PERCEPÇÃO DE PROFESSORES SOBRE A SEXUALIDADE DE ESCOLARES DO ENSINO
FUNDAMENTAL DE PORTO ALEGRE
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Autores: Milene Fontana Furlanetto, Angela Helena Marin, Dayse Cardoso, Juliana Goulart
Chaves
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
E-mail para contato: mileneff@gmail.com
Resumo
A construção e expressão da sexualidade é um processo social contínuo e influenciado por diversos
contextos. Dentre estes, a escola se destaca como um dos sistemas no qual a educação sexual
ocorre de maneira informal ou formal, influenciando os comportamentos individuais e relacionais.
Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi compreender a percepção de professores acerca
da sexualidade de adolescentes escolares. Trata-se de um estudo de delineamento exploratório,
corte transversal e abordagem qualitativa, que faz parte de uma pesquisa maior, que visa identificar
comportamentos sexuais de risco de adolescentes escolares e associá-los a características
individuais e contextuais relacionadas à família e a escola, aprovada pelo Comitê de Ética da
Universidade do Vale do Rio dos Sinos. O presente estudo contemplará apenas os dados relativos
à segunda etapa, no que tange ao contexto escolar. Os participantes foram seis professores do
sexto ao nono ano de três escolas públicas da cidade de Porto Alegre que responderam a uma
entrevista semiestruturada contendo questões referentes a dados sociodemográficos, percepção
sobre sexo e sexualidade na adolescência, educação sexual e comunicação adolescente-famíliaescola
sobre sexualidade. Utilizou-se análise temática para análise e interpretação dos dados. Os
temas emergiram dos próprios dados, que foram analisados por dois juízes independentes, a saber:
papéis de gênero, risco sexual e educação sexual. Resultados preliminares sugerem que os
professores tendem a dicotomizar os comportamentos sexuais dos adolescentes em papéis de
gênero masculino e feminino, em que são esperados determinados comportamentos para cada
sexo. O diálogo sobre sexualidade na escola é escasso e ocorre em atividades pontuais,
desenvolvidas à critério do professor. Constata-se que é necessário investir na capacitação de
profissionais da educação e saúde, bem como formalizar a educação sexual nas escolas a fim de
promover a reflexão crítica frente a situações de discriminação e fomentar uma cultura de cuidado
em saúde.
Palavra-chave: adolescência; sexualidade; educação sexual; professores.
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O PAPEL FAMILIAR DOS FILHOS ADOLESCENTES
NO CONTEXTO DA SEPARAÇÃO CONJUGAL DOS PAIS
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Autores: Mirela Heinen Rediss, Caroline Rubin Rossato Pereira, Dalila Carolina Moreira dos
Santos
Instituição: Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
E-mail para contato: mirelarediss@gmail.com
Resumo
A separação conjugal se constitui em um momento de crise nas famílias, o que exige dos seus
membros adaptações e reorganizações estruturais. Parte de um estudo maior, intitulado
“Separação Conjugal: O Papel dos Filhos Adolescentes”, este trabalho objetiva investigar o lugar
ocupado pelos adolescentes durante a separação conjugal dos seus pais, a partir da Teoria
Sistêmica. Participaram do estudo nove adolescentes de onze a dezesseis anos, estudantes de
escolas públicas de Ensino Fundamental e/ou Médio de uma cidade do interior do Rio Grande do
Sul, com nível socioeconômico variado, cujos pais estavam separados no momento da coleta dos
dados. Os participantes responderam uma entrevista de dados sociodemográficos e uma entrevista
semiestruturada sobre a separação conjugal dos pais. Os dados coletados foram transcritos e
analisados qualitativamente a partir da análise de conteúdo. Diante dos resultados, percebeu-se
que, quando a separação conjugal dos pais ocorre, os filhos adolescentes tendem a ocupar papéis
que não seriam esperados para esse momento de seu desenvolvimento como adolescente. Ao se
romper a conjugalidade, o casal pode se encontrar inapto a desempenhar os seus papéis enquanto
díade parental, de modo que o filho mais velho passa a desempenhar parte dessas funções. Sendo
assim, os adolescentes podem ocupar a função de cuidadores e protetores dos irmãos mais novos,
além de, em alguns casos, fornecerem apoio emocional aos pais, principalmente às mães
fragilizadas pelo término de um relacionamento amoroso. Esses adolescentes também estiveram
expostos ao conflito conjugal, chegando a interferir nas discussões entre os pais, defendendo um
dos progenitores ou expressando a sua opinião sobre a decisão da separação. A partir dos
resultados, ressalta-se a importância de preservar os filhos dos conflitos entre o ex-casal no
momento da separação conjugal, destacando-se a importância de trabalhar os papéis e delimitar
as fronteiras entre os subsistemas familiares neste contexto.
Palavra-chave: famílias; adolescentes; separação conjugal.

A INFLUÊNCIA DA MATERNIDADE POR ADOÇÃO NOS PROCESSOS DE HABILITAÇÃO DE
CANDIDATOS À ADOÇÃO
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Autores: Patricia Santos da Silva, Ana Karolina da Silva, Nicole Barros, Giana Bitencourt Frizzo
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Centro de Estudos da Família
e do Indivíduo – CEFI
E-mail para contato: patis.psico@gmail.com
Resumo
A habilitação é uma etapa essencial no processo de adoção, visto que avalia os candidatos e os
prepara para o exercício das funções parentais. Apesar de ter suma importância para a adoção, o
Estatuto da Criança e do Adolescente define apenas diretrizes, mas não critérios específicos que
devem ser abordados nesse processo pelos técnicos. Por isso, aspectos da vida privada e
experiências subjetivas, como a maternidade por adoção, poderiam influenciar nas práticas desses
profissionais. Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi avaliar se a maternidade por adoção
experienciada pelas técnicas judiciárias poderia ter influência na sua prática profissional. Foram
analisadas quatro entrevistas de técnicas judiciárias do Juizado da Infância e Juventude: duas do
sul e duas do norte do Brasil, sendo que em cada estado uma das técnicas era mãe por adoção. As
participantes faziam parte do projeto “Estar apto a ser pai e ser mãe do ponto de vista jurídico”. Elas
responderam a uma entrevista semiestruturada sobre suas práticas. O delineamento utilizado foi
estudo de caso coletivo com atenção às particularidades e semelhanças e as entrevistas foram
analisadas através da análise temática. A partir das análises, foi possível perceber algumas
diferenças. As participantes que são mães por adoção relataram que o processo de destituição é
muito doloroso para elas por se colocarem no lugar dos pais que estão perdendo os seus filhos. Em
relação especificamente aos processos de habilitação, as mães por adoção demonstraram grande
empatia pelos candidatos e relataram uma tendência a valorizá-los no processo, o que pareceu ser
motivado pela experiência pessoal. As participantes que não passaram por essa experiência
relataram procurar ver o que seria melhor para criança em situação de acolhimento. Essa
aproximação das técnicas judiciárias com a realidade da adoção pode tornar o processo de
habilitação mais acolhedor para os candidatos.
Palavra-chave: adoção; habilitação; maternidade.
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ASSOCIAÇÃO ENTRE AMOR PELA APRENDIZAGEM E TRAÇOS DE PERSONALIDADE EM
ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
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Autores: Susana Konig Luz, Ana Paula Noronha, Naiana Dapieve Patias
Instituição: Faculdade IMED, Universidade São Francisco - USF
E-mail para contato: susana.konig@hotmail.com
Resumo
Forças de caráter são características positivas individuais as quais referem-se à capacidade
preexistente de um modo particular de comportamento e sentimento, que facilita o funcionamento
ideal do ser humano e pode ajudar no enfrentamento de adversidades da vida cotidiana. Assim
como forças, os indivíduos também apresentam traços de personalidade que podem ser entendidos
como características individuais de cada um. Este estudo teve como objetivo avaliar a associação
entre Amor pela Aprendizagem e traços de personalidade (Realização e Neuroticismo) com as suas
respectivas facetas, além de investigar se haviam diferenças entre os sexos, nas variáveis
estudadas. Os participantes foram 396 estudantes universitários, ambos os sexos, residentes em
uma cidade do interior de São Paulo. Dentre estes estudantes, 226 eram mulheres (57,1%), com
idades variando de 17 a 61 anos (M=22,91; DP=6,03). Os instrumentos utilizados foram a Escala
de Forças de Caráter (Noronha & Barbosa, 2013) e a Bateria Fatorial de Personalidade (Nunes,
Hutz & Nunes, 2010). As análises foram realizadas através de estatísticas descritivas observandose
média e desvio-padrão além de correlação de Person e teste t de student para verificar a
diferença entre os sexos nas dimensões investigadas. Análise de regressão linear múltipla também
foi realizada. De modo geral, foram encontrados coeficientes significativos, com magnitudes
variando de fracas a moderadas. O coeficiente de maior magnitude foi entre Amor pela
Aprendizagem e R1 (Comprometimento), e em seguida, com R3 (Empenho). No que se refere à
correlação com Neuroticismo, recebe destaque o coeficiente negativo com N3 (Passividade). As
variáveis R1, R2 e R3 apresentaram correlações positivas moderadas, muito baixa e baixa
respectivamente com Amor pela Aprendizagem. Todas as facetas dos dois fatores de personalidade
escolhidos correlacionaram-se confirmando a hipótese teórica de que Neuroticismo e Realização
estariam relacionados com Amor pela Aprendizagem.
Palavra-chave: motivação; forças de caráter; personalidade.
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A PESQUISA DE PROCESSO EM PSICOTERAPIA PSICANALÍTICA E A PRÁTICA CLÍNICA:
ESTUDO DE CASO
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Autores: Suzana Catanio Nardi
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS
E-mail para contato: suzanacatanio@gmail.com
Resumo
O objetivo deste trabalho foi analisar o processo de uma psicoterapia psicanalítica com uma jovem
de 19 anos, diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline9 TPB). O estudo foi
realizado em um período de 16 meses de tratamento correspondendo a 24 sessões gravadas em
vídeo e codificadas através do Psychotherapy Process Q-Set (PQS) e 7 sessões com o
Operationalized Psychodynamic Diagnosis (OPD-2). Para a análise do processo foi realizado o
cálculo das médias dos itens das sessões, identificando-se os itens mais e menos salientes das 24
sessões. Após, foi realizada a descrição do processo de psicoterapia através de um ordenamento
simples das médias de cada item do PQS, identificando-se os itens mais e menos característicos
do processo geral. Para o OPD, foram selecionadas 6 sessões, sendo duas do início do tratamento,
uma antes da internação, uma durante a internação e as duas últimas do período de tratamento. A
partir do cruzamento entre os dados do OPD e do PQS foram identificadas as vulnerabilidades
expressas nessas sessões, tais como a desregulação afetiva, os ataques dirigidos tanto as figuras
parentais quanto aos amigos e reproduzidas na relação terapêutica. A terapeuta trabalha
principalmente o foco relacional no sentido da percepção dos outros, principalmente a dimensão de
diferenciação self- objeto. Assim, o estudo de processo com pacientes com TPB, severamente
perturbados, pode oferecer dados significativos para a prática clínica, uma vez que se utilizam
dados coletados durante as sessões.
Palavras chave: pesquisa de processo; transtorno de personalidade borderline; estudo de caso.
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O IMPACTO DE UMA CRIANÇA COM TEA NAS RELAÇÕES FRATERNAS
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Autores: Tatiane Pinto Rodrigues, Carlo Schmidt, Caroline Rubin Rossato Pereira, Caroline Prola
Fritsch
Instituição: Faculdade Integrada de Santa Maria - FISMA
E-mail para contato: tatiane.rodrigues@fisma.com.br
Resumo
Conforme a literatura, as influências de possuir um irmão com TEA na família pode trazer
implicações tanto positivas quanto negativas para as relações fraternas. No contexto nacional e
internacional, os estudos realizados no domínio da qualidade de vida dos irmãos de crianças/
adolescentes com TEA são bastante escassos (MARTINS, ANDRADE, 2015). Portanto, o presente
trabalho investigou as relações familiares de irmãs adolescentes de pessoas com TEA sob a ótica
das relações fraternas. Trata-se de um estudo qualitativo, realizado através de um delineamento de
estudo de casos múltiplos em que participaram três irmãs adolescentes de pessoas com TEA.
Foram utilizados entrevistas sociodemográficas e uma entrevista semi-estruturada. Os resultados
sinalizam que o lugar ocupado pelas irmãs no sistema familiar estava deslocado para assumir
funções parentais no que tange os cuidados com o irmão, no mesmo sentido, as participantes
sinalizam tensão a essa responsabilidade. Em dois casos, as irmãs apresentaram desagrado mútuo
e apreensão com relação às atividades de lazer, as quais havia a exigência de que fossem
realizadas incluindo o irmão. Percebeu-se ainda, que em relação aos projetos de vida todas
participantes relataram apreensão com relação a ingressar em novas etapas do ciclo vital da família,
como um relacionamento amoroso. Revelam se sentir inseguras quanto à percepção do possível
companheiro pelo irmão e ainda, se esse assumiria as responsabilidades afetivas e financeiras na
ausência dos pais, no que tange o futuro. Este fato reforça a necessidade de novas investigações
para que se consiga perceber, por um lado, o real impacto que uma criança com TEA provoca no
seio familiar, em especial na reorganização de funções e a subtração de fases desenvolvimentais,
principalmente nas relações fraternas.
MARTINS, Rosa Maria Lopes; ANDRADE, Ana. Qualidade de vida dos irmãos de
crianças/adolescentes autistas. In: Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do
Adolescente. 2015.
Palavra-chave: relações fraternas; TEA; família.
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“QUEM VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER?”
ADOLESCENTES EM CONFLITO COM A LEI
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Autores: Vanessa Ruffatto Gregoviski, Silvana Terezinha Baumkarten
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS, Universidade de Passo Fundo -
UPF
E-mail para contato: vane.ruffatto2@hotmail.com
Resumo
A adolescência é um período fundamental na constituição do indivíduo, mas também podem ocorrer
diversos conflitos e crises, auxiliando na formação da identidade do sujeito. Alguns jovens passam
por períodos mais conturbados, transgridem normas sociais e acabam entrando em conflito com a
lei, podendo ser privados de liberdade. Esses são os sujeitos dessa pesquisa, seis adolescentes
que estão cumprindo medida socioeducativa em um CASE no interior do estado do RS. Entendese
que estão passando por uma etapa em que podem descobrir novas possibilidades, e a partir
disso serão analisadas as perspectivas de futuro que possuem. Aprovada pelo comitê de ética -
parecer 1.496.756, a pesquisa tem delineamento qualitativo descritivo, utilizando-se do método de
entrevistas semiestruturadas. As respostas foram discutidas a partir da análise de conteúdo, sendo
os tópicos principais “atividades praticadas antes e durante a medida”, “trajetória escolar”, “cursos
profissionalizantes”, “trajetória profissional”, e “Quem você vai ser quando crescer? – As
perspectivas de futuro”. Percebeu-se que apesar do mito popular, esses jovens tinham uma vida
típica de adolescente, indo a festas, saindo com amigos, jogando futebol, porém o abandono escolar
e início no mundo informal de trabalho mudou completamente suas rotinas. Notou-se que esse
crescimento abrupto trouxe aos adolescentes muitos ônus e bônus adultos, em que precisaram
assumir responsabilidades que não cabiam a eles, constituindo-se em um fator de risco para a
infração, principalmente ao sair de casa, ficando sem nenhuma rede de apoio. Para o futuro
esperam não retornar à criminalidade, alguns querem constituir uma família, outros querem voltar a
estudar, e todos querem trabalhar. A medida foi fundamental para mostrar novas possibilidades,
proporcionando meios para que retomassem o investimento em sua educação e no trabalho formal,
porém ainda há muito que deve ser feito, já que a maioria retornará para o mesmo ambiente do qual
saiu.
Palavra-chave: adolescente em conflito com a lei; medida socioeducativa; perspectiva de futuro.

APRESENTAÇÕES
DE PÔSTERES
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ABORDAGEM SISTÊMICA EM UM CAPS AD: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
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Autores: Camila Martins Sirtoli, Vanessa Ruffatto Gregoviski
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
E-mail para contato: vane.ruffatto2@hotmail.com
Resumo:
A Portaria 336/2002 vem com o intuito de estabelecer o que são CAPS - Centros de Atenção
Psicossocial, pontos especializados da Rede de Atenção Psicossocial de um município, atendendo
pessoas com transtornos mentais severos e persistentes dentro do território. Uma das modalidades
definidas é CAPSAd, ou seja, para pessoas com uso abusivo de álcool ou outras drogas. Assim, o
objetivo deste trabalho é de relatar a experiência de duas psicólogas residentes em Saúde Mental
em um CAPSAd na região metropolitana da capital, utilizando-se da abordagem sistêmica para
melhor compreender o usuário do serviço e seu contexto. Enquanto metodologia, este trabalho se
constitui em um relato de experiência descritivo do viés abordado pelas autoras em suas inserções
no local e com os usuários e familiares atendidos. Nomes dos cenários de práticas e indivíduos
serão mantidos em sigilo, buscando preservar sua identidade. Da mesma forma, destaca-se que
nosso ponto de vista está sendo abordado aqui, não excluindo diversas outras possibilidades e
formas de cuidado. No tocante à análise da vivência, buscamos trabalhar a droga como um
fenômeno complexo e dinâmico na vida do sujeito, tendo um papel a ser desempenhado. Assim
como visa a sistêmica, percebemos que não bastava abordar a drogadição isoladamente, ela se
co-relacionava com diversos outros fatores e atores, não buscando culpados, porém
responsabilizando os envolvidos no cuidado. Além disso, a percepção mais integral do sujeito nos
remeteu imediatamente ao cuidado com a família e ambiente em que estava inserido, sendo
necessário o trabalho com os vínculos estabelecidos por perceber a droga como um sintoma
emergente de uma situação oculta ou perceptivelmente grave. Concluímos que a abordagem
sistêmica permitiu ter um olhar mais ampliado e humanizado daqueles que acolhíamos ao perceber
que a droga apenas manifestava inúmeros outros riscos e vulnerabilidades às quais estavam
expostos.
Palavra-chave: sistêmica; centro de atenção psicossocial álcool e outras drogas; saúde mental;
residência.
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A IMPORTÂNCIA DO USO DA CARTOGRAFIA PARA RESIDENTES
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Autores: Carla Izabel Morais Madeira
Instituição: Universidade Federal do Amapá - AFA
E-mail para contato: psic.carlaizabel@gmail.com
Resumo:
A Cartografia é um conceito usado na saúde com o objetivo compreender o processo do estado de
saúde de um determinado território, nos indicando um procedimento de análise para as
transformações e movimentos constantes de uma determinada comunidade. Nesse sentindo
buscou-se realizar uma revisão bibliográfica utilizando as palavras-chaves “Cartografia”, “Atenção
primária” e “Saúde coletiva” em site de dados da Scielo e Bireme; após realizou-se uma entrevista
com os Agentes Comunitários de Saúde sobre a comunidade e após houve visitas in loco. Nesse
sentindo, objetivou-se realizar um relato de experiência acerca da importância do uso da cartografia
na pratica dos Residentes de Saúde Coletiva em uma comunidade quilombola, o Curiau, localizado
na cidade de Macapá-AP. Após a construção da cartografia, possibilitou-se a compreensão da
situação saúde-doença da população adscrita na Unidade Básica de Saúde, podendo-se refletir
mais acerca dos motivos de poucas procuras para atendimentos de Enfermagem e de Psicologia
na Unidade Básica de saúde, nos possibilitando pensar sobre novas estratégias para combater a
baixa procura nos serviços. Desta forma a cartografia facilitou na compreensão dos
comportamentos e crenças que a comunidade possuía, ampliando a visão que os Residentes
podem ter acerca das diferenças entre os territórios, posto que durante o Programa de Residência
Multiprofissional os Residentes passam por diversas Unidades Básicas de Saúde. Assim a
cartografia é de extrema importância por possibilitar um entendimento mais completo e dinâmico da
comunidade atendida, visto que a cada território perpassado os comportamentos e crenças da
comunidade muda diante de uma mesma demanda de saúde.
Palavra-chave: cartografia; atenção primária; saúde coletiva.
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TRABALHANDO O LUTO DE UM ADOLESCENTE ATRAVÉS DA ABORDAGEM INDIVIDUAL
SISTÊMICA
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Autores: Carlos Roberto Tischler Heinen, Caroline Motiin, Maria Isabel Wendling
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
E-mail para contato: carlosheinen@gmail.com
Resumo
Na abordagem da terapia sistêmica o luto pode ser compreendido como um processo de perda na
qual é alterada a homeostase familiar e há a necessidade de uma reorganização dos papéis de
todos os membros que fazem parte deste sistema. Pensando-se na fase da adolescência, que é
um período de muitas mudanças e ressignificações, a perda por morte de um dos cuidadores pode
impactar na construção do self, na sua individuação frente aos seus familiares e na sua constituição
como indivíduo frente a sociedade. Estabelecer formas para a expressão de sentimentos e melhorar
a comunicação foi vista como fundamental para a elaboração adequada destes processos,
prevenindo um possível luto complicado. Portanto, o objetivo deste trabalho é apresentar o processo
terapêutico na abordagem sistêmica individual, realizado em co-terapia, com um adolescente que
perdeu sua mãe, feito no serviço escola do Curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul (Serviço de Atendimento e Pesquisa em Psicologia - SAPP) na qual foram
utilizadas diferentes técnicas e vivências com o paciente. Entre as atividades desenvolvidas podese
citar: a cadeira vazia, a técnica da argila, a construção de cartas e a utilização de músicas, estas
escolhidas pelo adolescente e também pelos próprios terapeutas. Desta forma, através das técnicas
e do vínculo terapêutico estabelecido com os co-terapeutas, possibilitou-se uma melhor
comunicação do enlutado facilitando, a posteriori, na conexão do conteúdo das vivências com a
expressão dos sentimentos do indivíduo, favorecendo a elaboração do seu luto e finalizando o
processo com a alta do paciente.
Palavra-chave: luto; adolescência; terapia sistêmica; vivências; elaboração.
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CRIATIVIDADE E IRREVERÊNCIA NA COORDENAÇÃO DO GRUPO DE TREINAMENTO DE
HABILIDADES DE ADOLESCENTES: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
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Autores: Cláudia da Rosa Muñoz, Maria Eduarda Alencastro
Instituição: Centro de Estudos da Família e do Indivíduo – CEFI
E-mail para contato: claudia@cefipoa.com.br
Resumo
A Terapia Comportamental Dialética denota-se como vertente do Contextualismo já bastante
estabelecida como forma de tratamento eficaz para transtornos limítrofes e demais quadros
sintomáticos que incluem descontrole de impulsos, características de baixa tolerância ao mal-estar,
entre outros. O grupo de treinamento de habilidades integra está terapêutica no intuito de capacitar
pessoas com desregulação emocional a ter melhor qualidade de vida.
A aplicabilidade desta terapêutica também se torna efetiva para pacientes adolescentes e o grupo
de treinamento de habilidades mostra-se de suma importância para a prática dos conceitos,
prevenção de condutas de risco e promoção de saúde. Sendo a Terapia Comportamental Dialética
bastante protocolar, a criatividade e irreverência na aplicação de dinâmicas no grupo de treinamento
de habilidades tem se mostrado bastante atrativas e de melhor entendimento dos conceitos que
envolvem a terapêutica. O presente trabalho constitui um relato de experiência da aplicação de
dinâmicas, práticas criativas não protocolares para o ensinamento de ferramentas e treinamento
das mesmas de uma maneira mais simples e de maior entendimento pelos adolescentes,
promovendo maior aplicabilidade dos conceitos na prática. O caso apresentado fundamenta-se na
prática das coordenadoras do grupo que ocorre no CEFI, membros da equipe de Terapia Dialética
Comportamental do Cefi Contextus. Retrata-se neste pôster o período de três meses de
treinamento, de abril a junho de 2017, nos quais foram desenvolvidas habilidades de consciência
plena e efetividade interpessoal. Foi observado que a utilização de estratégias lúdicas e criativas
foram essenciais para aproximação entre as profissionais e os jovens, facilitando o engajamento
dos mesmos nas atividades. Sendo as Terapias Contextuais abordagens experienciais, e o
treinamento ter objetivo de aprendizado por meio da prática, o uso de jogos, músicas, entre outros
recursos proporcionam a vivência e interação natural entre os participantes.
Palavra-chave: treinamento de habilidades; terapia dialética comportamental; adolescência.
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MATERNIDADE E REDE DE APOIO: POTENCIALIDADE DA FAMÍLIA EM CONTEXTOS DE
VULNERABILIDADE SOCIAL
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Autores: Dalila Carolina Moreira dos Santos, Caroline Rubin Rossato Pereira, Ana Paula Benatti,
Mônica Sperb Machado, Mirela Heinen Rediss
Instituição: Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
E-mail para contato: dalilacarolinna@hotmail.com
Resumo
Famílias em situação de vulnerabilidade social vivenciam peculiaridades contextuais que afetam
diretamente sua qualidade de vida e bem-estar, e impactam na experiência da parentalidade. A
rede social significativa inclui todas as relações que um indivíduo percebe como importantes, tais
como: família, amigos, vizinhança. Esses intercâmbios interpessoais favorecem o desenvolvimento
pessoal, familiar e comunitário, constituindo-se como fator de potencialidade ao exercício dos
papéis parentais, de modo especial no contexto de vulnerabilidade social. Identificar essa rede e
fortalecê-la é uma estratégia que visa a promoção de saúde e o bem-estar dessas famílias. O
presente estudo, de caráter exploratório e abordagem qualitativa, possui como pressuposto
epistemológico o Pensamento Sistêmico, objetivou investigar as redes de apoio significativas ao
desempenho da maternidade em famílias em situação de vulnerabilidade social. Para isto,
participaram seis mães, com filhos até doze anos incompletos, cujas famílias se encontravam em
situação de vulnerabilidade social e que estavam referenciadas a algum Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS) de um município do interior do Rio Grande do Sul. Para a coleta de
dados realizou-se a aplicação de um Questionário Sociodemográfico e de uma Entrevista
Semiestruturada, em um encontro individual, ocorrido no CRAS ou na residência das participantes.
As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra para, então, serem submetidas à Análise de
Conteúdo temática (BARDIN, 2006). Todos os preceitos éticos foram considerados. A partir da
análise emergiram as seguintes categorias relacionadas às redes de apoio das mães: “Relações
familiares”, “Apoio institucional” e “Vínculos de solidariedade”. Os resultados apontaram para uma
gama de relações interpessoais, tais como: avós, "patroas", professoras etc., consideradas
significativas pelas mães no exercício da maternidade. A rede de apoio mostrou-se importante para
a organização e até mesmo para a manutenção das famílias ao vivenciarem dificuldades vitais ou
estressores imprevistos em seu desenvolvimento.
Palavra-chave: rede de apoio; maternidade; vulnerabilidade social.
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CASAMENTO: UM COMPROMISSO COM A TRADIÇÃO MUITO ALÉM DO ALTAR.
RELAÇÕES ENTRE ESTADO CIVIL E AUTORITARISMO
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Autores: Felipe Vilanova, Alice Zanrosso Baptista, Ângelo Brandelli Costa, Silvia Helena Koller
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS
E-mail para contato: felipeandrade1@gmail.com
Resumo
Introdução: A Escala de Autoritarismo de Direita (EAD) é um dos instrumentos mais utilizado para
avaliar autoritarismo. É composto pelos subfatores submissão à autoridade (SA), contestação à
autoridade (CA), autoritarismo (AT;) e tradicionalismo (TR). O autoritarismo influencia a forma como
os contatos interpessoais ocorrem, entretanto, a interface entre autoritarismo e relações conjugais
ainda não foi investigada nacionalmente. Portanto, o objetivo deste estudo foi investigar a relação
entre estado civil e os escores nos subfatores da EAD. A coleta de dados foi realizada por meio de
formulário online entre outubro e novembro de 2016. Participaram do estudo 518 indivíduos com
idades entre 18 e 79 anos (M = 39,31; DP = 17,93), 59,8% do gênero masculino. 50,2% dos
participantes reportaram ser solteiros, 29,7% casados, 9,1% divorciados, 7,7% morar com o cônjuge
e 3,3% viúvos. Foram realizadas Análises de Variância (ANOVA’s) entre os diferentes grupos de
estado civil e os escores nos subfatores da EAD. Testes post-hoc Bonferroni demonstraram que
casados tendem a ser mais autoritários do que solteiros (p < 0,05) e do que quem mora com o
cônjuge (p < 0,05); divorciados tendem a ser mais autoritários do que solteiros (p < 0,05) e quem
mora com cônjuge (p < 0,05); casados tendem a ser mais tradicionalistas do que solteiros (p <
0,001) e quem mora com cônjuge (p < 0,001); casados tendem a ser mais submissos do que
solteiros (p < 0,001) e quem mora com cônjuge (p < 0,05). Hipotetiza-se que por meio da teoria da
transmissão multigeracional de padrões familiares que indivíduos que tenham famílias mais
tradicionais e autoritárias, em conjunção com uma maior propensão a se submeter às autoridades
familiares, tendam a ter uma menor chance de se diferenciar dos padrões da família originária e
consequentemente uma maior chance de reproduzir a tradição do casamento.
Palavra-chave: autoritarismo; relacionamento conjugal; transmissão geracional.
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COLCHA DE RETALHOS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA COM IDOSOS DO CRAS
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Autores: Fernanda Cunha Mendes, Susana König Luz
Instituição: Faculdade Meridional - IMED
E-mail para contato: fernanda.cunhamendes@gmail.com
Resumo
A prática da arte terapia colabora para que os indivíduos entrem em contato com o seu próprio
universo simbólico e imaginário, possibilitando que os mesmos consigam refletir e fazer novas
descobertas sobre si mesmos. A técnica facilita o contato com conteúdos inconscientes
possibilitando que o participante consiga elaborar esses conteúdos internos, mesmo que o acesso
a eles não se dê pela palavra, mas por outras formas de expressão. Com esta técnica pode-se
pensar em novas práticas e experiências pessoas, que torna os participantes conscientes de suas
capacidades e valores, mostrando a eles a oportunidade de se reconhecerem como pessoas
saudáveis e felizes. A realização deste trabalho com grupos da terceira idade, teve como objetivo
estimular a autoestima, exercitar a criatividade e resgatar a memória. Participaram da atividade
aproximadamente 30 idosos com idade entre 66 anos, ambos os sexos, sendo 24 mulheres e 6
homens. Na ocasião foi entregue a cada idoso um pedaço de pano em branco e materiais diversos,
como caneta para tecido, tinta para tecido, pinceis, cola colorida. Logo em seguida, foram
convidados a refletir sobre o que era ser idoso, quais os sentimentos que eles tinham referentes a
terceira idade. Ainda foram convidados a desenhar ou escrever no pedaço de tecido o significado
de ser idoso para cada um. Os tecidos foram costurados formando uma grande colcha de retalhos.
Os idosos elegeram a colcha como símbolo do grupo, levando-a para representá-los em eventos
que eles participassem. O resultado do trabalho faz pensar nas vivências de cada um deles e na
prática aplicada onde foi possível experiência uma oportunidade enriquecedora destacando-se os
sentimentos dos idosos e o quanto é válida a pratica da arte terapia com a terceira idade.
Palavra-chave: arte terapia; idosos; sentimento.
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TRABALHANDO A PARENTALIDADE: O OLHAR DA PSICOLOGIA EM UM PROGRAMA DE
EXTENSÃO REALIZADO JUNTO A UM NÚCLEO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA
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Autores: Gabriela Clerici Christofari, Dorian Mônica Arpini, Camila Almeida Kostulski, Patrícia
Paraboni
Instituição: Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
E-mail para contato: gabizinha_christofari@hotmail.com
Resumo
Entende-se que as famílias são os locais fundamentais para o desenvolvimento dos indivíduos.
Percebem-se, nesse ínterim, mudanças, principalmente em relação às configurações familiares, em
que passam a coexistir diferentes modelos de famílias. As famílias que vivenciam um processo de
separação conjugal, por exemplo, precisam adaptar-se às novas situações e reorganizar as
relações de parentalidade após o divórcio. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é relatar
algumas experiências de um programa de extensão, realizado em parceria entre o Departamento
de Psicologia e o Núcleo de Assistência Judiciária de uma Universidade Pública de Ensino Superior.
O programa de extensão propõe-se, entre outras atividades, a oferecer um acompanhamento aos
pais que realizam acordo de guarda de filhos no Núcleo de Assistência Judiciária, em relação ao
exercício de sua parentalidade. Considera-se, no processo de trabalho, fundamental a diferenciação
a ser realizada pelos pais entre conjugalidade e parentalidade, bem como a responsabilização
conjunta pelos cuidados com os filhos. Por esse motivo, percebe-se que através das atividades do
programa tem sido oportunizado apoio às famílias e a possibilidade de compartilhar angústias,
evitando afastamentos ou rupturas familiares, decorrentes de conflitos conjugais que, muitas vezes,
perpassam de forma decisiva a experiência parental. Por fim, considera-se relevante destacar a
importância do trabalho do programa de extensão com a guarda compartilhada, de modo a implicar
ambos os pais no cuidado com seus filhos e minimizar o afastamento parental. Ainda, salienta-se a
relevância de ações interdisciplinares como esta, com vistas a auxiliar as famílias em situação de
conflito, bem como o valor de ampliar tais atividades.
Palavra-chave: divórcio; parentalidade; relações familiares.
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RACISMO NA ESCOLA E EDUCAÇÃO SÓCIO-EMOCIONAL:
RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM CASO CLÍNICO
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Autores: Gieri Toledo Alves
Instituição: Clínica CLIPE
E-mail para contato: psicogierialves@gmail.com
Resumo
O racismo está presente em todos os contextos sociais e segundo o Conselho Federal de
Psicologia, é dever do psicólogo não se omitir mas atuar no enfrentamento desta realidade. Este é
um relato de um processo de psicoterapia familiar sistêmica. Construir uma identidade racial
positiva; promover as habilidades sociais, como resolução de problemas e comunicação. Estimular
a autoestima, identificação e manejo de emoções. Pedro, 8 anos, foi alvo de racismo na escola.
Seus colegas depreciaram as características físicas da raça negra e ofenderam Pedro e sua mãe,
Fernanda. O menino estava sempre sozinho, não conseguia se comunicar e verbalizava que queria
ser branco, portanto trabalhou-se a educação sócio-emocional de forma integrada com a questão
racial. Inicialmente, dialogou-se sobre a multiplicidade da cultura africana antes da colonização. Em
seguida, o processo sócio-histórico da escravização de pessoas negras foi abordado como fato
doloroso contra o qual negros lutaram e resistiram, desenvolvendo resiliência, força e coragem.
Explorou-se a cultura afro-brasileira, por exemplo a capoeira, gastronomia, vocabulário, música e
dança. Apresentou-se referências positivas nacionais, como Lima Barreto e Zumbi dos Palmares e
também figuras internacionais como Mandela e Luther King. Pedro verbalizava gostar da sua cor e
do seu fenótipo, mostrando-se mais confiante e alegre. Tanto Pedro quanto Fernando, conseguiam
se comunicar e resolver problemas cotidianos com autonomia, expressando emoções e
pensamentos. A Psicoterapia totalizou 14 sessões obtendo-se resultados positivos pois foram
alcançados os objetivos. A escola não possibilitou nenhum momento de diálogo ou trabalho
conjunto sobre a questão racial. O racismo afeta negativamente a saúde mental e integral de
adultos, crianças e adolescentes negros e pode ter diversas consequências negativas. Contudo,
percebe-se a falta de um debate real sobre a questão do racismo na sociedade, Psicologia e Escola,
resultando em estratégias escassas e ineficazes, de enfrentamento e combate.
Palavra-chave: psicoterapia sistêmica; racismo; escola; família.
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ARTETERAPIA ELUCIDANDO POTENCIAIS E FACILITANDO DESENVOLVIMENTO
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Autores: Jane de Oliveira Pinto Caldas, Renata de Oliveira Pinto Caldas, Alex Viana Cardoso
Instituição: Centro Universitário Augusto Motta, Tribunal de Justiça/RJ, ONG Pro-Brasil RJ
E-mail para contato: jane.p@uol.com.br
Resumo
Nas comunidades empobrecidas do Brasil encontramos famílias em meio à violência, apresentando
carências, que reproduzem tais lacunas às suas proles. Serão expostos resultados do trabalho
desenvolvido através da Arteterapia Junguiana, realizado na comunidade Pedro Américo, com
crianças e jovens, de 4 a 14 anos, e seus cuidadores. A realidade em que vivem predomina a
violência, o desafeto e a negligência que são geradores de estresse, tensão e bloqueio dos
potenciais cognitivos. Nosso objetivo é ressignificar traumas, facilitando o desbloqueio desses
potenciais, o curso do pleno desenvolvimento e a elevação de suas autoestimas. Promovemos
suporte para a superação de consequências negativas causadas pelo desrespeito à infância e à
adolescência. Segundo Winnicot (2002) esse contexto compromete os aspectos psicossociais,
comportamentais e neurobiológicos, causando impactos no desenvolvimento global dos envolvidos.
Partindo-se da hipótese de que, cedo ou tarde, esses efeitos negativos podem se manifestar, é
fundamental um trabalho de intervenção precoce, que permita prevenir marcas irreversíveis tanto
na estrutura como na função cerebral dos jovens (Teicher, 2002). O trabalho desenvolve-se através
da Arte terapia baseada em Jung, aos sábados pela manhã, com o grupo de crianças, jovens e
seus cuidadores, através da dinâmica da arte e do brincar. Aos cuidadores, promove-se a
sensibilização à autorreflexão sobre causas e consequências da má relação familiar. Observamos
que 72% de 17 famílias se tornaram mais tolerantes no processo relacional do dia-a-dia, optando
por maior qualidade no relacionamento, tornando mais prazerosa a convivência e transparecendo
nas crianças e jovens esses resultados. Serão expostas produções/pinturas que foram realizadas
concomitantemente às vivências de abusos e após o acompanhamento, nos permitindo analisar de
forma comparativa e observar a relevância do impacto positivo gerado pelo trabalho desenvolvido.
A autonomia e desenvolvimento das crianças e jovens foram ampliados e percebidos junto à família,
à escola e ao meio social.
Palavra-chave: violência; crianças e jovens; famílias; arte terapia; ressignificação.
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DIFERENÇAS DE TRAUMA PRECOCE ENTRE PACIENTES COM TRANSTORNO BIPOLAR E
TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR
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Autores: Jennifer Mendes Soares, Rosiene da Silva Machado, Mariane Lopez Molina, Karen
Jansen, Ricardo Azevedo da Silva, Luciano Dias de Mattos Souza
Instituição: Universidade Católica de Pelotas - UCPEL
E-mail para contato: jenny_soares@hotmail.com
Resumo
O trauma precoce é considerado um componente altamente prejudicial para o desenvolvimento
normal de crianças. De forma universal, cinco classes de trauma precoce foram distinguidas: O
abuso físico, o abuso sexual, o abuso emocional, a negligência física e a negligencia emocional.
Estas experiências estão associadas a maiores taxas de morbidade, suicídio e incapacidade
funcional, acarretando mais consequências negativas quando comparados com pacientes sem
história de trauma. Contudo, o tipo de trauma vivenciado pode ser uma forte característica para
diagnostico diferencial nos transtornos de humor. Objetivo: Comparar as médias de escores de
trauma precoce entre pacientes diagnosticados com Transtorno Bipolar (TB) e Transtorno
Depressivo Maior (TDM) na cidade de Pelotas/RS, no período de julho de 2012 a junho 2015.
Método: Estudo transversal, aninhado em ensaios clínicos com indivíduos de 18 a 29 anos no
serviço de psicologia da Universidade Católica de Pelotas, com amostra de conveniência. Os
Transtornos psiquiátricos do Eixo I foram verificados através da entrevista clínica estruturada para
o DSM-IV - Mini International Neuropsychiatric Interview versão Plus (MINI Plus) e trauma precoce
pelo instrumento de auto relato Childhood Trauma Questionnaire (CTQ). Resultados: A média de
Abuso Emocional (AE) dos pacientes com TB foi de 12,2 (±5,2), significativamente superior à média
dos pacientes com TDM (10,5; ±5,0). Mesmo após a análise ajustada para a comorbidade com
algum transtorno de ansiedade, os escores de AE dos pacientes do grupo TB foram
significativamente maiores do que o grupo TMD (β 1,54 IC95% 0,10 a 2,99). Conclusão: Este estudo
revelou que trauma na infância pode ser o diferencial no diagnóstico de TB em comparação a TDM,
especialmente os escores AE.
Palavra-chave: trauma precoce; transtorno bipolar; depressão maior.
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FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO NO ATENDIMENTO FAMILIAR NA PERCEPÇÃO DO
TERAPEUTA
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Autores: Jessamine Souza de Melo, Ricardo Cunha
Instituição: Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul - FADERGS, Hospital Santa
Casa
E-mail para contato: jessamine.souza@gmail.com
Resumo
O presente estudo buscou compreender como o contexto familiar pode servir como fator de risco e
de proteção no processo terapêutico. A compreensão dos mecanismos deste conceito desenvolvese
através da observação da interação entre as características individuais e ambientais,
possibilitando a identificação da vulnerabilidade, fatores de risco e de proteção (YUNES E
SZYMANSKY, 2001). Os fatores de risco estão relacionados com a vulnerabilidade, quando
presentes, aumentam a probabilidade de o indivíduo apresentar problemas. Trata-se de uma
pesquisa qualitativa de cunho exploratório (RUTTER, 1999 E CECCONELLO, 2003). A seleção das
terapeutas foi por conveniência. Foi realizada uma entrevista semiestruturada com cada terapeuta.
Os resultados foram divididos em categorias que visam delinear especificidades de cada uma
dessas dimensões. Os resultados sugerem que, dentre os fatores de risco estão relacionados a
dificuldades no relacionamento familiar, repetição da história familiar, quantidade de apoio familiar
recebido, situações de violência, crenças e valores sobre parentalidade, negligencia, abuso de
drogas. Já entre os fatores de proteção encontra-se: relacionamento familiar satisfatório, referência
social positiva, rede de apoio de pessoas extrafamiliar de qualidade, apoio recebido da família,
impacto positivo, reformulação de crenças, reorganização dos papeis desempenhados,
empoderamento individual e familiar, comunicação assertiva, afetividade e empatia. Nas crises e
situações novas há uma tentativa de voltar ao equilíbrio anterior, mas tendo flexibilidade, os
integrantes são capazes de modificar a si mesmos para atender as demandas exigidas (OSORIO,
2009). Através dos fatores de risco e proteção compreende-se o modo como o indivíduo percebe e
encara as crises, tendo como grande influência sua história e rotinas, bem como o contexto de modo
geral e o momento que se encontra no ciclo de vida. O desafio deixará de ser a resolução de
conflitos e se estenderá para mais além: minimizar as vulnerabilidades e investir em elementos
protetores, singularmente (WALSH, 2005).
Palavra-chave: atendimento familiar; terapeuta; terapia familiar.
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AVALIAÇÃO DAS HABILIDADES SOCIAIS DE MULHERES USUÁRIAS DE CRACK: UM
ESTUDO MISTO
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Autores: Jéssica Limberger, Emanueli Beneton, Rafaela Fava de Quevedo, Gabriela Lenhardt,
Ilana Andretta
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS
E-mail para contato: jessica.limberger.psi@gmail.com
Resumo
Baixas habilidades sociais são apontadas como fatores de risco ao uso de drogas. Em mulheres
usuárias de crack, carecem estudos que avaliem e compreendam as suas interações sociais. Desta
forma, objetivou-se avaliar as habilidades sociais de mulheres usuárias de crack, compreendendo
a sua trajetória de vida. Trata-se de um estudo de métodos mistos, de sequência quantitativa –
qualitativa, aprovado pelo Comitê de Ética. Foram utilizados os seguintes instrumentos: questionário
de dados sociodemográficos, Mini International Neuropsychiatric Interview (MINI), Screening
Cognitivo do WAIS-III, Inventário de Habilidades Sociais e Entrevista Clínica sobre Trajetória de
Vida e Habilidades Sociais. Os dados foram analisados por estatísticas descritivas e inferenciais a
partir do SPSS, bem como análise qualitativa das entrevistas. Participaram da etapa quantitativa 62
mulheres, com média de idade de 33,45 anos (DP=8,14), e na etapa qualitativa três mulheres com
déficit em pelo menos duas habilidades sociais, em internação hospitalar pelo uso do crack. Foram
excluídas mulheres com síndrome psicótica e com prejuízo cognitivo. Os resultados da etapa
quantitativa apontaram que a maioria das mulheres apresentou déficits nas habilidades sociais de
conversação e desenvoltura social, auto exposição a desconhecidos e situações novas e
autocontrole da agressividade. Tais déficits também foram identificados na etapa qualitativa,
compreendendo que as participantes compartilharam de dificuldades na utilização das habilidades
sociais desde a infância, bem como no momento da internação hospitalar. A entrevista clínica
complementou os dados obtidos no inventário, que não foi sensível ao tipo de resposta emitido
(agressivo, assertivo e passivo). Conclui-se que as habilidades sociais podem ser desenvolvidas no
decorrer do ciclo vital, inclusive durante o tratamento, com intervenções como o Treinamento em
Habilidades Sociais. Sugere-se que futuros estudos avaliem as habilidades sociais com
instrumentos de autorrelato e protocolos observacionais, a fim de garantir maior confiabilidade dos
dados e embasar o Treinamento em Habilidades Sociais.
Palavra-chave: habilidades sociais; mulheres; transtorno por uso de crack; métodos mistos.
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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E SUAS SINGULARIDADES
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Autores: Fonseca, R.; Seidi, H.; Ferazza, J. M.; Henrique, A.M., Ota, C. C. C
Instituição: Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional; Centro Universitário do Brasil –
UniBrasil, Universidade Federal do Paraná, Faculdades Paranaense- FAPAR
E-mail para contato: jessicamagary@hotmail.com
Resumo
A tempos o cérebro é objeto de estudo mais complexo e fascinante, em que os estudiosos se
dedicam a decifrar. Estudos nos mostram, que o ser humano possui mais de 40 tipos de memórias,
e estão concluindo que possam existir mais. A inteligência é a resposta cerebral a estas memorias,
e nos faz conhecer, entender e manifestar em forma de pensamento ou comportamento. Com os
avanços da tecnologia, é possível medir o Quociente de Inteligência (QI) de cada indivíduo, através
dos testes neuropsicológicos, a estimativa atual da média de QI do ser humano, é entre 85 a 99
pontos, sendo abaixo, portador de desvios intelectual e acima considerado superdotado. A
inteligência emocional é um constructo psicológico e está entre as 7 inteligências existentes, e ela
se divide em cinco categorias sendo, autoconhecimento, controle emocional, automotivação,
relacionamento interpessoal e a facilidade em reconhecer emoções de outras pessoas. O indivíduo
que possui esta vantagem intelectual, é aquele que consegue se auto motivar, e não se permite
abalar pelas ocorrências negativas do seu dia a dia, percebemos essa similaridade em pessoas que
possuem um perfil de liderança, pois além de possuir sua psique motivada, conseguem despertar
o melhor de cada pessoa que se relaciona, simplesmente devido ao seu poder de persuasão. O
objetivo desde trabalho, é avaliar se é possível elevar os padrões intelectuais, em indivíduos, que
não possuem uma inteligência emocional acima da média, simplesmente, pela prática de técnicas
aplicadas por estudiosos deste tema. Esta pesquisa foi realizada com relatos de experiências. A
avaliação do padrão de inteligência emocional foi através da anamnese, sendo pela fala do
indivíduo, respondendo um questionário com perguntas, onde o avaliado relatou as habilidades
coincidentes as do questionário, juntamente com uma avaliação de desempenho, que permitiu
medir a performance na aplicação de tarefas especificas. A inteligência emocional, como as demais
habilidades, é muito importante para uma vida recompensadora e satisfatória, suas funções
especificas, principalmente ligada a automotivação, é uma aliada importantíssima contra o estado
depressivo e que possui uma função essencial para uma mente em movimento fazendo com que o
indivíduo busque sua satisfação pessoal.
Palavra-chave: inteligência emocional, cérebro, memória.
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DESEMPENHO DO CORTISOL NA DECORRÊNCIA DO ESTRESSE E AS ALTERAÇÕES
COMPORTAMENTAIS
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Autores: Lemos, L. M., Ferazza, J. M., Henrique, A.M., Ota, C. C. C
Instituição: Lemos Laboratórios de Análises Clínicas, Centro Universitário do Brasil - UniBrasil,
Universidade Federal do Paraná, Faculdades Paranaense - FAPAR
E-mail para contato: jessicamagary@hotmail.com
Resumo
A depressão é uma psicopatologia caracterizada por humor deprimido ou falta de motivação, perda
de interesse, prazer, cansaço e fadiga. Além disso, podem ocorrer alteração no peso corporal,
prejuízo no sono, baixa capacidade de concentração, sentimento de inutilidade ou culpa. O
problema chave do diagnóstico é o fato de que os elaborados sistemas de classificação existentes,
baseiam-se somente em descrições subjetivas dos sintomas. Sabe-se que, durante o estresse
ocorrem respostas fisiológicas, incluindo a secreção de hormônios, principalmente o cortisol, sua
liberação está ligada a manutenção do organismo, como: regulação metabólica, resposta ao
estresse, regulação do sistema nervoso central e respostas imunológicas. É o precursor do
mecanismo de luta e fuga, onde sua secreção, é decorrente do estado de alerta do indivíduo,
gerando alteração cognitiva e fisiológica, possibilitando a melhor resposta comportamental. Teorias
mais recentes ligam a depressão a alterações fisiológicas no funcionamento do eixo HHA
(hipotálamo, hipófise, adrenal) e na neurotransmissão. O estresse é desencadeador de depressão
e sua ação não está localizada em uma área especifica neural, mas sim, ocorre uma ativação dos
circuitos neurais pelas respostas neuroendócrinas. Assim sendo, a análise do cortisol é relevante
no quadro depressivo e estressor. O objetivo deste trabalho é discutir as alterações fisiológicas e
comportamentais, caso haja uma produção de cortisol fora dos padrões de referência. O trabalho
se realiza de forma empírica buscando correlacionar os níveis de cortisol e alterações
comportamentais, pois com o mal funcionamento das vias metabólicas e glândulas adrenais, o
indivíduo entra em um estado de hipercortisolismo, onde estará na maior parte do tempo em alerta,
mesmo que não esteja frente a um estimulo estressor. O A produção excessiva de cortisol aumenta
a intensidade dos sintomas afetivos com intensidade ainda maior e os psicológicos. Sendo assim
os indivíduos com alterações nos níveis de cortisol não se encontram em estado de naturalidade
emocional e psicológica.
Palavra-chave: cortisol, comportamento, depressão, estresse.
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A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO EFETIVA DA FAMÍLIA NO AMBIENTE HOSPITALAR:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
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Autores: Jéssica Sartori Ribeiro, Ana Caroline Roehrs Santana, Graziele Testa Dulius, Priscila
Schonarth, Sônia Mara Arena
Instituição: Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre
E-mail para contato: jessica.limberger.psi@gmaill.com
Resumo
Diante de uma situação de internação hospitalar diversas são as dificuldades que um sujeito pode
passar, sejam referentes às sequelas da doença/trauma ou de adaptação à rotina. Sendo assim, a
importância dos laços afetivos torna-se ainda mais evidente, já que questões emocionais podem
surgir e a família é quem tem maior possibilidade de oferecer suporte e apoio ao paciente. Quando
se fala em família, nos referimentos a todos os membros do núcleo que dele participam, o que, na
maioria, englobam crianças e adolescentes. Apesar da restrição por parte das instituições
hospitalares, bem como também ocorre no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, quanto a
entrada de menores de idade, a presença deles acaba sendo de fundamental importância para a
situação como um todo, beneficiando paciente, família e equipe. Este estudo tem por objetivo relatar
a experiência de trabalho da psicologia em avaliar e acompanhar a criança ou o adolescente durante
o período de visita de familiar em ambiente hospitalar. Os resultados evidenciaram os benefícios
tanto para o paciente internado, que pode estar mais próximo de seu ente, geralmente filho(a),
diminuindo o sofrimento provocado pelo afastamento de seu núcleo familiar, contribuindo também
para o alivio da ansiedade; quanto para o menor de idade, que pode saber a real condição de seu
familiar, facilitando o entendimento das mudanças na rotina da família e auxiliando no
enfrentamento da situação. Desta forma, este trabalho mostra a importância de se ter familiares
próximos ao paciente, contribuindo, assim, para o tratamento e processo de hospitalização do
mesmo, tornando o ambiente hospitalar mais afetivo e humanizado. Além disso, contribui para
valorização do trabalho do psicólogo no sentido de demonstrar a relevância do manejo técnico
adequado que favorece a participação efetiva da família no cuidado com o paciente.
Palavra-chave: psicologia hospitalar; hospital; equipe de saúde; família.
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PROGRAMA DEFESA À VIDA:
POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR
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Autores: Karen Cristina Rech Braun, Raquel Furtado Conte
Instituição: Universidade de Caxias do Sul - UCS
E-mail para contato: karenrech@gmail.com
Resumo
O presente trabalho apresenta um relato de experiência do Programa Defesa à Vida (PDV) inserido
no ambiente escolar. O PDV é um projeto de abordagem essencialmente preventiva, tendo como
objetivo o bem-estar subjetivo e a consolidação de fatores protetivos, promovendo a resiliência. O
presente relato ilustra o trabalho realizado em uma escola de ensino fundamental em uma cidade
do interior do Rio Grande do Sul. As visitas foram realizadas com frequência semanal ao longo de
oito meses. Durante esse período, foram utilizadas diversas intervenções e a escolha das temáticas
trabalhadas foi elencada a partir das demandas que surgiram no local. As atividades foram
desenvolvidas com base na Teoria Bioecológica do Desenvolvimento de Bronfenbrenner, que
prioriza a pessoa, o contexto, o processo e o tempo. Considerando as vulnerabilidades da
população, a promoção da resiliência foi o objetivo principal. Por meio da modalidade grupal, foram
trabalhados alguns conceitos como direitos da criança, bullying, sexualidade e habilidades sociais.
Os grupos tiveram o objetivo de promover a saúde mental e a prevenção da violência, fortalecer os
fatores protetivos bem como desenvolver habilidades para melhor lidar com os fatores de risco e
demais contingências dos indivíduos no microssistema escolar. Além disso, foram realizadas
orientações e aconselhamentos individuais com alunos e pais. O trabalho conjunto com professores
auxiliou nas demandas diárias da escola, além de ser um espaço de escuta às dificuldades
enfrentadas pela Diretoria no manejo de relações conflituosas com pais. O processo foi avaliado
como positivo tanto pelos alunos como pela equipe diretiva e docente. Os resultados demonstram
a relevância de ações preventivas nas escolas e a necessidade de desenvolver mais intervenções
que promovam o desenvolvimento dos indivíduos em seus diferentes contextos.
Palavras-chave: psicologia escolar, intervenção psicossocial, prevenção, resiliência.
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A VIDA EM CENA
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Autores: Lucas André Borges Hlavac, Laura Hofstater Pilati, Vanessa Ruffatto Gregoviski
Instituição: Centro de Estudos da Família e do Indivíduo - CEFI, Sigmund Freud Associação
Psicanalítica, Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
E-mail para contato: hlavaclucas@hotmail.com
Resumo
A adolescência é uma fase do ciclo vital repleta de mudanças, no próprio corpo ou nas relações
familiares e sociais. Entre os conflitos dessa etapa, pode-se citar a transgressão, marcando a
experimentação dos limites esperada no processo de individuação. Porém, quando atinge a
sociedade passa a ser considerado ato infracional, passível de medidas socioeducativas. Jovens
que chegam nesse extremo em sua maioria vêm de um contexto em que a violência já fazia parte
de seu cotidiano, deixando marcas no indivíduo. Esses fatores nos deixam clara a necessidade
imediata de buscar intervenções sociais que tentem ampliar as possibilidades para esses
adolescentes já marginalizados. Nesse sentido, o projeto A vida em Cena objetiva ampliar as
percepções de jovens que estão cumprindo medida socioeducativa com privação de liberdade em
um CASE na capital do estado do Rio Grande do Sul. O projeto é uma ação voluntária que usa o
cinema como dispositivo terapêutico na prevenção e promoção de saúde, propondo a discussão do
ato infracional e da violência que permeia o dia-a-dia desses sujeitos. A oficina foi estruturada para
acontecer de forma semanal ao longo de três meses, no formato de grupo composto por em torno
de dez adolescentes. A ideia é fomentar a discussão de forma lúdica, facilitando a reflexão e
apontamentos, trazendo o protagonismo desses jovens para que possam ter autonomia para fazer
suas próprias escolhas, já que muitas vezes nenhum outro caminho além do crime lhes foi
apresentado. Este é um projeto em andamento, não tendo concluída ainda a sua coleta de dados e
impossibilitando uma conclusão, mas é necessário falarmos sobre formas como esta que procurem
problematizar questões como a violência juvenil em uma tentativa de dialogar com os principais
atores desse quadro: os próprios adolescentes em conflito com a lei.
Palavra-chave: Adolescentes em Conflito com a Lei; Cinema; Violência.
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ADAPTAÇÃO SEMÂNTICA DA VERSÃO BRASILEIRA DA DBT –
WAYS OF COPING CHECKLIST
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Autores: Lucas André Schuster de Souza, Ana Carolina Maciel Cancian, Mariana Sanseverino
Dillenburg, Margareth da Silva Oliveira
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS
E-mail para contato: lucas.schuster@gmail.com
Resumo
A Terapia Comportamental Dialética (TCD) é uma abordagem psicoterapêutica para condições
psicopatológicas nas quais há desregulação emocional. Os mecanismos de ação da TCD incluem
o uso das habilidades de atenção plena, regulação emocional, manejo de estresse e efetividade
interpessoal treinadas na fase inicial do tratamento. Não há ainda estudos sobre efetividade e
mecanismos de ação da TCD na população brasileira. A disponibilização de instrumentos de
avaliação dos componentes ativos dessa intervenção pode facilitar a realização de estudos que
preencham essa lacuna. Assim, este trabalho, de delineamento instrumental, tem como objetivo
adaptar a DBT Ways of Coping Checklist - DBT-WCCL - para o português brasileiro. A DBT-WCCL
é composta por 59 itens que avaliam o uso de estratégias de enfrentamento em situações
estressantes. Os itens são agrupados em três dimensões: habilidades da DBT, estratégias
desadaptativas gerais e estratégias de culpabilização. O método consiste em 6 etapas de adaptação
e testagem do instrumento: (1) Elaboração de três versões por tradutores independentes. (2)
Síntese das traduções em uma versão preliminar, após avaliações de três juízes com conhecimento
em avaliação psicológica. (3) Submissão da versão preliminar ao julgamento de cinco experts em
TCD, verificando-se clareza e adequação dos itens e solicitando-se sugestões de aprimoramento
quando necessário. (4) Reformulação dos itens com base nas sugestões dos experts. (5) Avaliação
pela população alvo (participantes de treinamento de habilidades em TCD) e população geral
quanto à compreensibilidade dos itens e pertinência às respectivas dimensões. (6) Reformulação
dos itens com baixos escores em compreensibilidade ou pertinência, gerando uma versão final da
escala. O estudo encontra-se na fase 4. Verificou-se a necessidade de reformulação e remoção de
alguns itens considerados problemáticos pelos experts, especialmente quanto à pertinência teórica
e adequação semântica e cultural. Fica evidente a complexidade do processo de adaptação,
necessariamente ultrapassando a simples tradução literal de itens.
Palavra-chave: avaliação psicológica; terapia comportamental dialética; coping.
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A PSICOLOGIA SISTÊMICA NA UNIDADE DE CARDIOLOGIA INTENSIVA (UCI)
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Autores: Luciane Beltrami
Instituição: Psycoação - Clínica
E-mail para contato: lucianebeltrami2@gmail.com
Resumo
A Unidade Cardiológica Intensiva é destinada ao tratamento de pacientes com cardiopatias, como
edema agudo de pulmão, insuficiência cardíaca congestiva, bloqueios átrio-ventriculares, infarto
agudo do miocárdio, crise hipertensiva, dentre outras, bem como procedimentos como cateterismo
cardíaco, angioplastia, pós-operatório de cirurgia cardiovascular, assim, necessitando de
assistência intensiva. Nesta unidade, por serem pacientes críticos, ficam em observação constante,
monitorados pela equipe de profissionais especializados em cardiologia, sendo um local permeado
de muitas dúvidas e incertezas, pois os pacientes e seus familiares estão enfrentando uma situação
diferente para suas vidas, a qual não tem possibilidade de mudança a não ser enfrentar a cirurgia
e suas consequências. Com isso, este relato de experiência visa mostrar o trabalho do psicólogo
sistêmico com pacientes agendados para realizar a cirurgia cardíaca (ponte de safena), num
hospital escola no interior do Rio Grande do Sul. Apesar dos avanços tecnológicos e científicos para
reestabelecer a saúde das pessoas, uma cirurgia cardíaca envolve risco e gera muita ansiedade
nos pacientes e seus familiares. Assim, o objetivo deste relato é mostrar o trabalho do psicólogo
sistêmico, que com o uso de material criado por ele mesmo (uma boneca com tubo e drenos)
demonstra, de uma maneira lúdica, a cirurgia cardíaca para o paciente e seus acompanhantes.
Essa demonstração lúdica tem a finalidade de baixar o nível de ansiedade pré-cirúrgica e ter um
pós-operatório mais tranquilo, tanto para o paciente operado como para a equipe da Unidade
Cardiológica Intensiva. Na revisão de literatura buscou-se referências bibliográficas e artigos
científicos a respeito do tema, priorizando o referencial sistêmico focando em questões relacionadas
à importância do cuidado que vai além de tratar o físico. Como conclusão, verificou-se que a
inserção e atuação do psicólogo na UCI resultou à busca de equilíbrio da tríade família-pacienteequipe.
Palavra-chave: hospitalização; cirurgia cardíaca; família; psicologia sistêmica.

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TERAPIA DE FAMÍLIA EM APOIO AO LUTO POR MORTE VIOLENTA
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Autores: Luiza Doval de Souza Müller Pinto, Valentina Monteiro Maverino, Bianca Basttistello
Brito,Francielli Galli
Instituição: Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter
E-mail para contato: luizamullerp@gmail.com
Resumo
O presente trabalho aborda o impacto e tratamento em terapia a famílias enlutadas em decorrência
de morte violenta. Esse tipo de morte é inesperada, súbita e causa grande impacto e choque em
seus sobreviventes. Tal situação pode acarretar em diferentes possíveis consequências, tais como;
estado de choque, de surpresa, perplexidade e intenso estresse dos enlutados (Currier, Niemayer,
2006). Neste sentido, sabe-se que tais eventos traumáticos podem levar as famílias a vivenciarem
de formas diferentes a elaboração do luto, que vão desde o luto esperado ao luto complicado, ou
mesmo transtorno de estresse pós-traumático e suicídio (Worden, 2013). Utilizou-se como método
o estudo de caso coletivo de duas famílias que buscaram atendimento em um serviço escola de
psicologia de um Centro Universitário de Porto Alegre, após a perda de seus familiares em
decorrência de morte por violência. Em ambos os casos há situação de homicídio dos pais frente a
outros membros da família. As psicoterapias envolveram as viúvas e os filhos enlutados. Analisase
o processo de luto de cada um dos casos, que, embora apresentassem demandas semelhantes
de morte por violência, desencadearam impactos e formas de enfrentamento bastante diferentes.
Além disso, relata-se os pontos principais de ambos os atendimentos envolveram, psicoeducação
quanto ao luto, manejo com as crianças enlutadas, planejamento de rituais de despedida e
reorganização das dinâmicas familiares. Visto que as mortes violentas têm sido cada vez mais
frequentes na nossa sociedade, o presente trabalho visa contribuir para a reflexão sobre formas de
intervir junto a famílias atingidas por estas situações.
Palavra-chave: morte violenta; luto; terapia familiar.
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EM BUSCA DO EQUILÍBRIO ALIMENTAR: ESTUDO DE CASO DE PROGRAMA
MULTIDISCIPLINAR COM ENFOQUE NAS TERAPIAS CONTEXTUAIS E MINDFULNESS
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Autores: Maria Eduarda Dreyer de Alencastro, Mariana Laitano Dias de Castro Heredia, Gabriela
Damasceno Ferreira Campos, Letícia da Silva Christianetti
Instituição: Centro de Estudos da Família e do Indivíduo – CEFI, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul – UFRGS
E-mail para contato: mariaealencastro@gmail.com
Resumo
A Obesidade é um distúrbio complexo, de etiologia multifatorial e resultante de um desequilíbrio
entre a ingestão de energia e seus gastos. Apesar das inúmeras tentativas de educação nutricional
e incentivo à atividade física presentes para a população, o aumento de indivíduos obesos no
mundo não para de crescer. Partindo dessa premissa, o programa Contexto Saúde, desenvolvido
e aplicado na cidade de Porto Alegre desde 2016, tem como objetivo central a promoção de saúde
por meio do equilíbrio alimentar e flexibilidade psicológica. Coordenado por nutricionistas e
psicólogas, o protocolo de tratamento tem duração de doze semanas e em formato de grupo
fechado. É estruturado nas terapias Comportamentais Contextuais e na Nutrição Comportamental,
desenvolvendo habilidades de Mindfulness em todos os encontros programados. Para clarificar os
processos desenvolvidos ao longo do programa, este trabalho tem objetivo de apresentar a
evolução da paciente Violeta no programa Contexto Saúde (PCS), por meio de estudo de caso,
correlacionando as mudanças alcançadas a cada encontro realizado. Um termo de consentimento
informado foi passado à paciente previamente, autorizando que sua participação no programa fosse
acompanhada de um estudo qualitativo. Dentre os resultados, destaca-se o aumento de flexibilidade
psicológica, ancorada numa maior aceitação das experiências internas e consciência dos
comportamentos alimentares, demonstrados no relato: “Hoje, quase 3 meses depois que os
encontros terminaram eu já me reconheço diferente e melhor. Separo minhas refeições, mantenho
exercícios quase que diários e aceito o meu cansaço ou minha falta de vontade quando não quero
fazer nada. Assim como minha vontade e necessidade quando quero comer algo mais calórico.
Hoje eu me sinto equilibrada em vários sentidos.” Por fim, o trabalho contextual com foco em
mindfulness traz benefícios na medida em que amplia a tomada de perspectiva, cultiva a compaixão,
incrementa a motivação baseada em valores e promove a ação comprometida.
Palavra-chave: mindfulness; comportamento alimentar; obesidade; flexibilidade psicológica.
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HABILIDADES SOCIAIS: REPERTÓRIO COMPORTAMENTAL IMPRESCINDÍVEL AO
AMBIENTE ACADÊMICO
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Autores: Mariana Debortoli Scheffer, Mariana Debortoli Scheffer, Elsa Zanette Tallamini, Marjana
Gasparin, Roberta Bilibio Westphalen, Júlia Gonçalves Pereira, Simone Nenê Portela Dalbosco,
Suzi Darli Zanchett Wahl, Marcia Fortes Wagner
Instituição: Faculdade Meridional - IMED
E-mail para contato: mariiischeffer@hotmail.com
Resumo
Habilidades Sociais podem ser caracterizadas como uma classe de respostas aprendidas e que
constituem o repertório comportamental do indivíduo. No ambiente universitário, os
comportamentos de falar em público e estabelecer relações interpessoais são elementos
imprescindíveis ao desempenho acadêmico e social, sendo fator de proteção para prejuízos
psicológicos. O presente trabalho objetiva avaliar o repertório de habilidades sociais em estudantes
universitários. É um estudo quantitativo, observacional, com amostra de 62 estudantes de uma
instituição de ensino superior do Rio Grande do Sul. O estudo foi autorizado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa da IMED. Os instrumentos utilizados foram: Ficha de dados sociodemográficos e
Inventário de Habilidades Sociais (IHS-Del Prette), com 38 itens para aferir o repertório de
habilidades sociais em situações cotidianas. Apresenta cinco fatores: Fator 1- enfrentamento e
autoafirmação com risco; Fator 2- autoafirmação na expressão de sentimento positivo; Fator 3-
conversação e desenvoltura social; Fator 4- auto exposição a desconhecidos e situações novas; e
Fator 5- autocontrole da agressividade, possuindo consistência interna satisfatória (α=0,75). Da
amostra, 74,2% (n=46) eram mulheres, enquanto 25,8% (n=16) homens, com média de idade de
28,08 anos (DP=10,27). Quanto ao estado civil, 75,8% (n=47) eram solteiros; 14,5% (n=9) casados;
4,8% (n=3) divorciados; e 4,8% (n=3) com união estável. No IHS-Del Prette, 54,8% (n= 34) sujeitos
apresentaram indicação para treinamento de habilidades sociais no escore total. Nos escores
fatoriais, o F2 evidenciou maior índice de repertório deficitário de habilidades sociais com 66,1%
(n=41) dos sujeitos, seguido de F3 com 48,4% (n=30), F1 com 32,3% (n=20), enquanto F5 obteve
30,6% (n=19). O fator que se apresentou mais preservado, com um menor índice de repertório
deficitário foi F4, com 11,3% (n=7). Conclui-se que existe um repertório comportamental deficitário
nas habilidades sociais na amostra de acadêmicos investigada, evidenciando indicação para
treinamento de habilidades sociais.
Palavra-chave: habilidades sociais; relações interpessoais; ensino superior.
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TREINAMENTO EM HABILIDADES SOCIAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA
INTERVENÇÃO EM GRUPO
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Autores: Marina Pante, Patrícia Pasquali Godoy, Mariana Gomes Ferreira Petersen
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS
E-mail para contato: marina.pante@gmail.com
Resumo
O treinamento em habilidades sociais é uma intervenção baseada na abordagem cognitivo
comportamental e no protocolo de Vicente Caballo (2003) que objetiva ensinar estratégias e
habilidades interpessoais, com a intenção de melhorar a competência interpessoal e individual (Del
Prette & Del Prette, 2003). O objetivo do presente trabalho é relatar a experiência de uma
intervenção em grupo para o aprendizado e desenvolvimento de habilidades sociais. A intervenção
buscou desenvolver nos participantes um repertório de competências sociais, melhorando suas
interações e experiências interpessoais. Participaram do grupo vinte e cinco pessoas: treze
mulheres e doze homens entre 14 e 69 anos. O treinamento foi realizado em quatro encontros de
duas horas de duração, com a seguinte estrutura: (1) psicoeducação, (2) troca de experiências
pessoais, (3) treino de estratégias para manejo de sintomas de ansiedade e de situações sociais,
(4) resumo do encontro, (5) incentivo a realização de tarefa de casa e (6) feedback. A intervenção
foi avaliada qualitativamente por meio de verbalizações dos participantes: "estou procurando ser
mais afetiva, demonstrando mais os meus sentimentos e me colocando no lugar do outro" -
participante leva flores para as coordenadoras e para as colegas no último dia do grupo, exercitando
a demonstração de afeto e agrado. Observaram-se resultados terapêuticos positivos através da
interação entre os participantes, já que o próprio treinamento possibilitou espaço de troca e incentivo
entre eles: "foi muito bom participar do grupo e ver que não sou só eu que tenho essas dificuldades!".
A avaliação da intervenção apresentou evidências da efetividade do treinamento em habilidades
sociais, anteriormente identificadas na literatura como fatores de proteção no curso do
desenvolvimento humano. Alcançando o objetivo da intervenção, os participantes apresentaram
diminuição dos sintomas de ansiedade, melhor expressão de sentimentos, maior assertividade nas
interações, caracterizando assim uma melhora no enfrentamento de situações sociais.
Palavra-chave: habilidades sociais; processos terapêuticos; grupos; terapia cognitivocomportamental.
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TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA EM CASOS DE SEPARAÇÃO CONJUGAL:
RELATOS DE UMA EXPERIÊNCIA DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
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Autores: Mirela Heinen Rediss, Caroline Rubin Rossato Pereira, Dalila Carolina Moreira dos
Santos, Mônica Sperb Machado, Andréia Sorensen Weber, Ana Paula Benatti
Instituição: Universidade Federal de Santa Maria - UFSM
E-mail para contato: mirelarediss@gmail.com
Resumo
Diante do número significativo de separações conjugais e do impacto desta vivência para as
famílias, destaca-se a necessidade de o profissional de psicologia estar preparado para atuar nesse
contexto. Neste tocante, em 2015 foi criado o projeto de extensão universitária “Enlaces”, realizado
na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que oferece atendimentos psicológicos gratuitos
para famílias que estão passando ou que passaram pela separação conjugal. O projeto tem como
objetivo ser um espaço de aprendizado para os alunos do curso de psicologia, além de oferecer
apoio às famílias fragilizadas, proporcionando momentos de escuta e suporte, promovendo a
qualidade das relações e do exercício dos papéis familiares. A proposta origina-se do projeto
guarda-chuva “A Família frente à Separação Conjugal”, desenvolvido pelo Núcleo de Estudos
Família e suas Relações (NEFRE). As intervenções são desenvolvidas nas dependências da clínica
do Departamento de Psicologia da UFSM, envolvendo acadêmicos do curso de Psicologia, do
Programa de Pós-Graduação em Psicologia e psicólogos vinculados ao NEFRE. A divulgação do
projeto foi feita com panfletos e cartazes colocados nos Núcleos de Assistência Judiciária e nas
Clínicas Escolas de Psicologia da cidade de Santa Maria, no site da UFSM e nas redes sociais. As
famílias participantes são convidadas a assinar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e
um Termo de Consentimento para Uso da Sala de Espelhos. Além disso, o terapeuta utiliza uma
Ficha de Identificação com os dados sociodemográficos, Genograma e Ficha de relato dos
atendimentos, materiais que permanecem guardados na clínica. Os atendimentos são semanais,
com duração de aproximadamente 50 minutos, tomando como fundamentação a Terapia Familiar
Sistêmica. Paralelamente aos atendimentos, os alunos e psicólogos envolvidos, participam de
reuniões semanais, para a discussão dos casos, e estudo da temática. A prática espera estreitar os
vínculos entre Universidade e sociedade, além de promover a saúde emocional das famílias.
Palavra-chave: famílias; separação conjugal; terapia familiar sistêmica.
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GRUPO DE MÃES DE FILHOS SURDOS: ESTUDO DE CASO
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Autores: Rafaela Fava de Quevedo, Simone Dambrós, Ilana Andretta
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
E-mail para contato: rafaelafaq@msn.com
Resumo
A surdez se caracteriza como uma alteração no sistema auditivo interferindo no acesso aos
estímulos sonoros. Crianças surdas com pais ouvintes constituem um ambiente familiar distinto,
onde há a incorporação da língua de sinais e modificações em todo o contexto de relações, na rotina
e dinâmica familiar. Neste estudo de caso, objetivou-se compreender o fenômeno grupal e intervir
em um grupo composto por oito mães ouvintes com filhos surdos pré-adolescentes e adolescentes.
O grupo em questão ocorria com frequência semanal e articulava-se na perspectiva de grupo de
apoio à configuração familiar que inclui um filho surdo. Como instrumentos utilizaram-se
observações in loco. Optou-se pela análise qualitativa do conteúdo das observações e das falas
das participantes, valendo-se de conceitos como comunicação, vínculo, papéis, resistências,
transferência e papel do coordenador. Criou-se eixos temáticos a posteriori a partir das principais
características que emergiram no grupo, sendo esses: independência/autonomia do filho;
adolescência e sexualidade; descoberta da surdez e reorganização da dinâmica familiar; e,
assuntos além do objetivo grupal. Foram propostas quatro intervenções com o objetivo de
oportunizar e viabilizar diferentes formas de comunicação tanto no processo de construção e
evolução grupal quanto no desenvolvimento familiar e aprimoramento da comunicação com os
filhos, além de propiciar um espaço contínuo de fala e aprendizagem no ambiente seguro que o
grupo propicia e flexibilizar os movimentos grupais. Apresenta-se como resultado positivo a
ressignificação dos objetivos do grupo e de comportamentos engessados, visto que, ao aceitar a
presença de novas pessoas no papel de coordenação, o grupo acaba quebrando um padrão de
funcionamento e integra novas perspectivas na sua dinâmica. A proposta foi fortalecer aspectos
positivos do grupo, como a coesão já existente, valorizando e retomando os objetivos sob os quais
o grupo fora construído e as repercussões na vida das mães. Os resultados conduzem à
compreensão do grupo como facilitador e necessário como apoio e suporte para as participantes.
Diante essa experiência interventiva, sugere-se a importância da realização contínua de pesquisas
voltadas para a temática grupal e também das vicissitudes da surdez e das relações familiares
quanto à chegada de um filho surdo.
Palavras-chave: estudo de caso; surdez; grupo de apoio; família e surdez.
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VIVÊNCIA DO FINAL DE GESTAÇÃO E PUERPÉRIO POR MÃES INTERNAUTAS:
OSTRA FELIZ FAZ PÉROLA
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Autores: Rosiani Rossato Battisti
Instituição: Universidade Católica de Pelotas - UCPEL
E-mail para contato: rosianirossato@hotmail.com

Resumo
Esta pesquisa buscou compreender como o final de gestação e o puerpério foram vividos por mães
primíparas que se consideram internautas e os significados atribuídos a essa experiência vivida.
Objetivo: O estudo investigou se esse período de vida tem sofrido mudanças já que as mães estão
conectadas à internet rotineiramente, o que pode interferir no processo de interação com seu bebê
e na sua capacidade de ensimesmar-se. Para melhor entendimento das relações iniciais entre mãe
e bebê, foram utilizados elementos da teoria de Winnicott e a Teoria do Apego de Bowlby. Optouse
pela pesquisa fenomenológica hermenêutica de abordagem qualitativa. Foram entrevistadas
duas mães primíparas, que se consideram internautas, uma de 29 e outra de 31 anos, responsáveis
pelos cuidados com seus filhos, um de 7 meses e outro de 10 meses, respectivamente. Os dados
foram interpretados por meio de análise temática. Das unidades de significado que emergiram,
resultou o tema fenomenológico: ostra feliz faz pérola, que expressou a essência da experiência
vivida pelas entrevistadas. Entre as principais unidades de significado que surgiram estão: De
sementinha a girassol, as mães planejaram as gestações que foram tranquilas e saudáveis e
Podendo parar: pela capacidade interna, inconsciente, ou externa, consciente, ambas puderam
romper, no oitavo mês, com o ritmo de trabalho, o que nos indica estarem vivendo o que Winnicott
(1993) nomeou de Preocupação Materna Primária: um estado muito especial da mãe, que se
desenvolve gradualmente, especialmente no final da gravidez e continua algumas semanas depois
do nascimento da criança que possibilita a mãe se recolher, ensimesmar-se e se conectar com seu
bebê.
Palavra-chave: interação mãe-bebê; puerpério; uso da internet.
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A EXPERIÊNCIA DA GESTÃO AUTÔNOMA DA MEDICAÇÃO EM UM CAPS ADULTO
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Autores: Vanessa Ruffatto Gregoviski, Thatielli I. Feiffer de Barros, Marliese Chiarani da Silva
Schneid
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul – UFRGS
E-mail para contato: vane.ruffatto2@hotmail.com
Resumo
A reforma psiquiátrica trouxe novas formas de olhar, o cuidado passou a ser compartilhado por
atores responsáveis no processo de saúde: serviços de saúde, familiares, e o próprio sujeito. Esse
cuidado mais humano e integral possibilitou a descoberta e implementação de diversas tecnologias
leves que ampliam e melhoram o acesso à saúde, dentre esses dispositivos é importante citar
aqueles que incentivam a autonomia do usuário, como a gestão autônoma da medicação – GAM.
Estratégia discutida e desenvolvida no Canadá, propagou-se ao Brasil estando na fase de discussão
de resultados. A GAM tem como objetivo um enfrentamento do problema da medicação consumida
de maneira irracional e sem informações. Trata-se de uma forma de uso coerente de fármacos e
apropriação sobre seus efeitos. Esse trabalho consiste no relato da participação das autoras nesse
grupo em um CAPS Adulto, buscando propagar esta forma de intervenção em saúde mental. Os
encontros aconteceram semanalmente, tendo como formato um grupo aberto que acontecem no
próprio estabelecimento de saúde. Os participantes são usuários do serviço, que atende pessoas
com transtornos mentais graves e persistentes. Como instrumento utiliza-se o Guia GAM. Em um
primeiro momento, notamos usuários apropriados do diagnóstico que receberam, bem como de
todos os medicamentos que faziam uso, chamando atenção, pois não é algo que acontece com
tanta frequência quanto esperado quando lidamos com sujeitos com alto nível de sofrimento. Dessa
forma, ao longo dos encontros percebemos que muito além da doença, a discussão também era
centrada no bem-estar daqueles presentes, compartilhando um espaço de cuidado e afeto.
Concluímos que apesar de ser uma estratégia não tão difundida, até mesmo dentro da equipe,
constitui-se num espaço de formação crítica, que empodera os usuários para conhecer seus direitos
e poder decidir qual caminho querem trilhar durante seu tratamento, sendo decisiva sua participação
na tomada de decisões.
Palavra-chave: saúde mental; CAPS; gestão autônoma da medicação; equipe multidisciplinar.