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FAMÍLIA EM FOCO - RESUMO DA 2º EDIÇÃO

NOVAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES E SEU IMPACTO NA SUBJETIVIDADE DAS CRIANÇAS
Maria Cristina Ravazzola (Argentina)

O artigo propõe algumas pautas úteis para entender as dinâmicas dos grupos familiares e suas mudanças ao longo dos últimos 20 anos. Trata-se de uma proposta a profissionais e pessoas adultas na etapa protagônica da ação cidadã e cultural para posicionarem-se como atores sociais que possam transmitir valores de respeito e cuidado, configurando consciências para que cada um participe de decisões generosas, e possa antepor a reflexão ao impulso, o apreço ao juízo crítico, o reconhecimento da própria responsabilidade à condenação e à segregação dos OUTROS, diferentes.

REPENSANDO A FORMAÇÃO E AS PRÁTICAS DE SUPERVISÃO EM TERAPIA FAMILIAR ATRAVÉS DOS NOVOS PARADIGMAS
Martha Giudice Narvaz, Mariana Gonçalves Boeckel, Ceres Valle Machado

O artigo apresenta algumas reflexões acerca do processo de formação e de supervisão desenvolvido na experiência das autoras enquanto terapeutas familiares. Inicialmente, descrevem alguns dos paradigmas fundadores de suas práticas, sugerindo, em seguida, alternativas que têm exercitado nessa trajetória. Propõem a compreensão da formação e da supervisão a partir dos novos paradigmas que resgatam a complexidade e a multiplicidade dos saberes, emergindo daí uma nova construção que se propõe a romper com a lógica das formações e das supervisões ortopédicas.

COM A AJUDA DE UMA VELHA TROLL E UM AUTOR ESCANDINAVO… UM EXEMPLO DE TERAPIA BREVE COM INTERVENÇÕES DE LARGA DURAÇÃO
Carlos Arturo Molina-Loza

A surpresa está no âmago da terapia. Uma psicoterapia que não surpreenda é, de certa maneira, inconcebível. A intervenção terapêutica deverá provocar uma desestruturação inicial que, a seguir, cederá o lugar a uma reestruturação em um plano diferente, saudável. Fazê-lo implica muitas vezes surpreender. Quantas vezes já não ouvimos os clientes exclamarem com os olhos arregalados: “Eu nunca havia visto as coisas por esse ângulo!” A reação do terapeuta diante da surpresa também será determinante. No trabalho o autor apresenta sua resposta, a construção de uma narrativa terapêutica, diante de uma situação relativamente atípica.

VIOLÊNCIA CONJUGAL: O RESGATE DOS DIREITOS HUMANOS NA PERSPECTIVA DE UMA CULTURA DE PAZ
Maria Eliza Vernet Machado Wilke

O texto procura traçar um quadro teórico no qual pretende articular questões relacionando violência conjugal, direitos humanos e educação para a paz. Através de uma crítica à cultura patriarcal, vista como uma cultura de violência, reconhece que os estereótipos de gênero são um empecilho à promoção dos direitos humanos das mulheres. Por outro lado, apresenta referências teóricas sobre a educação para a paz e destaca a importância de ações profissionais que visem estimular o empoderamento de homens e mulheres que vivem situações de violência.

FAMÍLIA E TRANSEXUALIDADE: GEOGRAFIA COMPLEXA, CALEIDOSCÓPIO DE POSSIBILIDADES
Esalba Silveira

Este artigo faz um recorte sobre a família e a transexualidade e é derivado da tese da autora, que buscou estudar como se constitui o processo de construção social da identidade do transexual, considerando a contradição que se estabelece entre o sexo anatômico, a construção social do gênero e o padrão de identidade heteronormativa que predomina na sociedade. Foi realizada uma pesquisa do tipo qualitativa junto a um grupo de 122 candidatos à cirurgia de redesignação sexual, sendo 97 do tipo Masculino-Feminino e 15 do tipo Feminino-Masculino, além de 109 familiares seus. Os dados confirmam que os padrões rígidos de relacionamento imobiliza a família para acolher a diversidade humana, produzindo famílias do tipo craqueladas, que se distanciam do sentido da família; aquelas que o preservam contribuem para identidades com autonomia, bem como que a identidade é o resultado de uma construção social que se mantém dialeticamente em transformação, constituindo-se através do corpo, gênero, família, nome próprio, preconceito e trabalho, difratados pelas lentes da realidade social e, neste movimento, pode produzir diferentes tipos de identidade, entre os quais a identidade invisível, a identidade por procuração e a identidade com autonomia.

CASAL ADICTIVO: TRANSFORMANDO UM RELACIONAMENTO ADICTO EM UM RELACIONAMENTO RESILIENTE
Jaira Freixiela Adamczyk

O artigo aborda conceitos em Adicção para uma amplitude de conhecimentos sobre a formação das relações adictas, os fatores de riscos e as diversas fases do ciclo adictivo, que possibilite um olhar profundo em uma das enfermidades mais avassaladoras e com custos altíssimos, principalmente na área social, que enfrentamos nos dias de hoje. A experiência tem mostrado que certos tipos de relacionamento podem contribuir para a condução do processo adictivo. Desafiamos analisar como determinados casais dão origem a condutas adictivas e as alimentam. A doença da Adicção causa um sofrimento, principalmente emocional. A Adicção é uma relação emocional com um objeto (droga, comida etc) ou com um comportamento. O(a) cônjuge que tentar compreender a Adicção usando a lógica racional ficará frustrado(a) e será manipulado(a) pelo adicto. Entende-se ser procedente uma análise dos fatores de risco e fatores protetores presentes em casais, nos quais um dos cônjuges, ou ambos, sejam adictos.

ENTREVISTA SOBRE A PERVERSÃO NAS RELAÇÕES COM MÁRIO FLEIG
(Filósofo, Psicólogo, Doutor em Filosofia, Professor Titular da Unisinos, Psicanalista, Membro da Association Lacanienne Internationale e da Escola de Estudos Psicanalíticos).
ENTREVISTADORA: ADRIANA ZILBERMAN

O ilustre entrevistado expõe suas ideáis aposentadas em seu livro recentemente publicado: O desejo perverso. Dentre as várias idéias expostas, o entrevistado afirma que a perversão é uma das faces, não diria obscura, mas banal de nossa humanidade. O sujeito perverso não escapa da maldade que ele mesmo se impõe realizar para os outros. Isso determina que ele não esteja fora da dimensão trágica da condição humana e suas contradições. Por isso, a clínica psicanalítica não o exclui do que seria um tratamento possível do sujeito perverso. Trata-se, então, de formar o que seria uma clínica das perversões, na esteira do que foi iniciado por Freud.

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