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Vamos falar sobre o Outubro Rosa?

O movimento Outubro Rosa nasceu na década de 1990 para conscientizar e estimular a população sobre a prevenção e controle do câncer de mama. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) participa deste movimento desde 2010 promovendo eventos técnicos, debates e apresentações sobre o tema. O foco é a detecção precoce da doença e formas de tratamento.
O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Existem vários tipos de câncer de mama, alguns têm desenvolvimento rápido enquanto outros são mais lentos. A maioria dos casos tem boa resposta ao tratamento, principalmente quando diagnosticado e tratado no início. O tratamento para câncer de mama é oferecido por meio do Sistema Único de Saúde, o SUS.
A descoberta de uma doença como o câncer de mama causa um processo de luto pelo corpo que agora não é mais saudável. O luto é um processo, um conjunto de reações diante de perdas, e exige que a pessoa possa entrar em contato com a realidade do adoecimento, com sua dor, se reestruturar diante das mudanças que ocorrerão, e voltar a viver buscando dar sentido a tudo que lhe aconteceu. O luto pelo qual as pacientes passam, não é somente pelo recebimento do diagnóstico de câncer de mama, mas também pelas outras várias etapas que poderão ser necessárias: cirurgia, alteração da imagem corporal, limitações, quimioterapia e radioterapia.
É fundamental, durante o processo de tratamento de câncer, oferecer às pacientes um espaço para falar e elaborar suas perdas. Falar sobre os sentimentos de tristeza, desespero pela descoberta da doença, medo da morte, medo das alterações físicas que podem ocorrer. Falar é terapêutico, alivia ansiedades e permite um espaço importante para se reorganizar psicologicamente e enfrentar essa batalha! Cada pessoa reage de um jeito e encara esse processo de tratamento de uma maneira, isso depende de característica de personalidade da paciente, do estágio da doença, de ter acompanhado outras pessoas nesse processo, das diferentes variáveis do tratamento, da rede de apoio da paciente, do quadro de saúde prévio. Por isso é fundamental entender que a experiência do adoecimento é única para cada uma. Evitar comparações em como a paciente enfrenta a doença e outras pessoas que já passaram por isso é importante para auxiliar a fortalecer e incentivar que a pessoa em tratamento descubra sua força interior e a maneira como ela vai decidir passar por tudo isso.
Negar o adoecimento e a doença num primeiro momento é parte de uma das diferentes fases pelo qual a paciente oscila durante o tratamento: negação, enfrentamento, medo, força. A psicoterapia é o espaço seguro para podermos falar sobre todas as etapas naturais desse processo!
Quedas de cabelo, sobrancelhas e cílios, assim como perda de peso e mudanças na pele podem ocorrer devido às medicações necessárias e abalar a auto estima das mulheres. Valorizar e ajudar a encontrar alternativas para lidar com essa situação também é um ato de cuidado. Devemos cuidar para não minimizar as perdas secundárias causadas pela doença, auxiliando que as pessoas em tratamento possam enlutar-se por essas mudanças também.
A retirada da mama em função do câncer está diretamente ligada a uma representação do feminino, e pode repercutir emocionalmente na paciente, gerando um abalo profundo no processo de adoecimento. Falar sobre o câncer e suas repercussões físicas e psicológicas é promover saúde! Questione, pesquise, pergunte!
Procure os serviços de saúde para você ou para as mulheres que você ama. A prevenção será sempre o melhor remédio.

Autora: Mariana Filippin - psicóloga