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Testamento Vital: você já pensou nisto?

Falar sobre o fim da vida é um assunto ainda evitado por muitas pessoas, e em situações de doenças incuráveis e terminais a dificuldade de acessar o assunto das Diretivas Antecipadas de Vontade se dá pelo tabu, falar sobre morte não é algo natural, porém é a única certeza que temos, é a morte. Saber lidar com a imprevisibilidade do fim da vida é dar-se conta da sua própria impotência e das múltiplas perdas envolvidas nesse processo de declínio em que o tratamento curativo não está mais respondendo e a doença continua evoluindo, os cuidados paliativos visa oferecer dignidade e a diminuição do sofrimento, pois mesmo o paciente que inicialmente se encontra sem dores, já está em inconsonância com seu emocional.
O testamento vital é um documento pouco usual no Brasil, por não ter uma legislação específica, esse documento visa a dignidade e a autonomia do paciente de escolher que tipo de tratamento que não deseja receber quando este não terá função de lhe devolver uma vida plena, bem como o Conselho Federal de Medicina refere quando aprovou a resolução n. 1995/12 que permite ao paciente registrar seu testamento vital na ficha médica ou no prontuário, em que assegura procedimentos e tratamentos que o paciente deseja ou não receber ou ser submetido, em havendo incapacidade de comunicação do paciente.
As diretivas antecipadas de vontade (DAV) podem ser feita por qualquer pessoa, desde que ela esteja lúcida e consiga expressar a sua vontade. Atender a vontade manifestada pela pessoa em vida auxilia na preparação dos rituais de despedidas, contribui para que os sobreviventes consigam chegar à consciência mais completa de que a perda realmente ocorreu, para que tenham uma adaptação saudável às tarefas do luto dentro do seu tempo, se permitindo vivenciar os sentimentos do luto como: tristeza, ansiedade, ambivalência, dor, mas sem se tornar um luto complicado.

Texto - Psicóloga Brunelly Ramos Ferrari
CRP 07/ 27129