Qualificando Relações

A IBCT propõe uma fase inicial do processo terapêutico bem específica, voltada para a avalia-ção do caso, essencial para qualquer trabalho terapêutico. São quatro sessões, nas quais a primeira é realizada com o casal, as duas seguintes são sessões individuais, uma com cada parceiro(a) e a quar-ta sessão é de devolução da avaliação feita, na qual o casal participa tanto desta avaliação quanto da elaboração dos objetivos do tratamento (Jacobson & Christensen, 1998).

Para auxiliar na formulação do caso são aplicados questionários de autorrelato, os quais en-globam satisfação conjugal, grau de compromisso com a relação, a possibilidades de haver, ou não, violência na relação e as principais áreas da relação conjugal que possam estar com problemas.
Após a etapa de formulação do caso, a IBCT também propõe a aplicação de um questionário que auxilia na avaliação do processo terapêutico, o qual, além desta função, também funciona como agenda da sessão, visto que o casal elege os temas a serem trabalhados.

Instrumentos para avaliar o caso e os resultados da terapia:
1) Questionário para o Casal: Instrumento para avaliar a satisfação conjugal, se houve agressão físi-ca ou verbal e o grau de compromisso com a relação: Couple Questionnaire (Christensen, 2009). Ava-lia a satisfação conjugal usando um pequeno formulário com 4 itens do Índice de Satisfação Casal-CSI-4 (Funk & Rogge, 2007), a violência conjugal (usando 3 itens desenvolvidos a partir de consulta com Dan O’Leary, Rick Heyman e Katherine Iverson) e o compromisso com o relacionamento. Ele é usado durante a fase inicial do tratamento para avaliar estas três áreas de funcionamento. A medida tem um alfa de 0,94. Os escores variam de 0-21 com uma média de 16 e desvio padrão de 4,7. As pon-tuações abaixo de 13,5 são consideradas numa faixa que representa situação crítica. (ANEXO 1).
2) Questionário de Áreas Problemáticas: Instrumento para avaliar as áreas problemáticas do casal – Problem Areas Questionnaire (Heavey, Christensen e Malamuth, 1995), não é numericamente mar-cado, mas examinado para as informações relevantes fornecidas para a formulação clínica do caso. (ANEXO 2).
3) Questionário de Frequência e Aceitabilidade dos Comportamentos do Casal: Instrumento para avaliar mecanismos de mudança de aceitação emocional e mudança de comportamento entre os ca-sais: Frequency and acceptability of partner behavior inventory-FAPBI (Christensen & Jacobson, 1997; Doss, Christensen, 2006). Avalia a frequência de comportamentos positivos e negativos apre-sentados pelos parceiros, e aceitabilidade de cada comportamento, por meio de 20 perguntas. Os al-phas de Cronbach para a aceitabilidade e frequência de comportamentos positivos entre os parceiros foram elevados (Aceitabilidade: marido = 0,85; esposa = 0,79 e Frequência: marido = 0,83; esposa = 0,80) (Doss, Thum, Sevier, Atkins & Christensen 2005). No entanto, Alphas de Cronbach para a acei-tabilidade e frequência de comportamentos negativos foram mais baixos (Aceitabilidade: marido = 0,65; esposa = 0,69). (ANEXO 3).

Instrumento para avaliar o processo terapêutico e organizar a agenda da sessão:
Questionário Semanal: Além de propiciar a avaliação do processo terapêutico, também é utili-zado para avaliar como se deu a semana do casal durante o intervalo entre as sessões de terapia – Weekly Questionnaire (Christensen, 2010). Há questões sobre satisfação, se houve algum episódio de violência conjugal, pede exemplo de uma interação positiva e uma negativa e se haverá algum incidente/situação que possa gerar desconforto ou preocupações entre eles. Este é pontuado soman-do o total de itens. Os escores variam de 0-21 com uma média de 16 e desvio padrão de 4,7. As pon-tuações abaixo de 13,5 são consideradas numa faixa que representa situação crítica. A medida tem um alfa Crombach de 0,94 (ANEXO 4).

Procedimento de aplicação dos questionários, os quais são utilizados da seguinte forma:
1º) Na pré-terapia, durante o período de avaliação e formulação do caso, cada membro do casal deverá comparecer a uma sessão individual, e nesta responderá aos instrumentos, além de trazer da-dos de sua história e seu olhar sobre o problema atual.
2º) Durante a terapia o Questionário Semanal é aplicado ao casal no início de cada sessão, fornecendo dados da evolução do tratamento, bem como uma agenda que demonstra o que será tra-balhado em cada encontro terapêutico.
3º) No final da terapia, os questionários podem ser aplicados no período de encerramento dos atendimentos. Uma sessão de finalização na qual, num primeiro momento, o casal responde aos ins-trumentos e depois reflete sobre o processo realizado. O casal pode, ainda, responder aos questioná-rios numa sessão follow up de um período de dois e depois de seis meses após o encerramento do processo terapêutico.
Por fim, a aplicação dos questionários auxilia como um todo, desde o momento de avaliação e formulação do caso, até à condução dos temas e estratégias terapêuticas durante a terapia.

Texto - Mara Lins, psicóloga