Qualificando Relações

Família Seleção

O chiado de estática no rádio lutava com a voz do narrador para ser ouvida. A família ao redor ficava tensa a cada acelerada na velocidade com que os eventos são narrados. As emoções de uma Copa são como na vida. A expectativa por um gol ou por um objetivo é capaz de unir uma família.

Os novos ciclos na vida de uma família ou na vida de uma seleção sempre guardam desafios e tarefas a serem superados. Depois das adversidades enfrentadas pelos jogadores, assim como pelas famílias, vem a satisfação e a felicidade da conquista. As alegrias de uma geração são legados para as próximas.

Mas na seleção e na família também existem as tragédias: derrotas, frustrações, desilusões. Há dores que não se pode suportar, e que podem ultrapassar gerações. Novas gerações significam novos desafios, e alguns legados são difíceis de herdar. Ser o que esperam que nós sejamos nem sempre é o bastante.

Dores ensinam e gerações rompem com os pais, e assim aprendemos a ser diferentes. Há gerações de jogadores e também de famílias que conseguem superar os traumas das gerações passadas e encontrar a alegria dos Campeões – nos gramados do estádio ou nos gramados da vida. Nem as seleções nem as famílias poderiam chegar aonde outros chegaram sendo iguais às gerações anteriores, foi preciso romper. Nenhum caminho é tranquilo, há um pênalti perdido aqui, um gol feito lá; uma derrota aqui, uma vitória acolá. E assim vai se escrevendo a história das seleções e das famílias.

Como a Seleção, nós e nossas famílias carregamos uma rica história, de sucesso e de tragédias. Sempre é um novo dia para escrever o presente e não ficarmos condenados a repetir as histórias dos nossos passados. Torcemos para que a Família Seleção tenha lidado com o próprio passado, neste novo capítulo da Copa.

Autor: Guilherme Moritz - psicólogo do Serviço de Atenfimento do Cefi (Sacefi)