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17 de maio - Dia Internacional Contra a Homofobia

O dia internacional contra a homo-lesbo-bi-transfobia, marca o momento histórico em que a homossexualidade, em 1990, deixou de ser considerada um transtorno do CID-9 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) pela Organização Mundial da Saúde, ao publicar o CID-10. Uma das grandes vitórias contra o preconceito. Nos remete a uma luta que, desde a década de 70, busca garantir direitos humanos para uma população que sofre de forma física, social e psicológica. Uma luta contra os efeitos do estigma e do preconceito.

Ao longo dos séculos, em diversos países a diversidade sexual e de gênero era compreendida como algo a ser combatido. Contrária às regras da moral e dos bons costumes, havia um processo de marginalização substancial para essa diversidade – com efeitos ainda hoje. A construção histórica da sexualidade e da identidade de gênero, estabelecidas pelo mapeamento de diversas características normativas, teve como efeito uma diversidade sexual e de gênero a ser recriminada.

Em função dessas normas, os espaços de convivência que permitiam essa diversidade eram escassos, comumente localizados em territórios marginalizados. Na década de 60 esses locais, geralmente bares, recebiam batidas policias frequentes e não raramente seus frequentadores sofriam formas de violência. Assim foi com um bar chamado Stonewall Inn, localizado nos Estados Unidos. Em junho de 1969, ocorreu uma violenta invasão da polícia de Nova York nesse bar e, dessa batida, surgiram as primeiras movimentações substanciais contra a homo-lesbo-bi-transfobia.

Em 1969, esse marco incentivou a população LGBT a gritar “basta!” para as violências sofridas, “basta!” para as discriminações cotidianas e “basta!” para a falta de direitos humanos e cidadania. A luta passou a ocorrer em outros países e, desde então, apresenta pautas que almejam a dignidade para essa população.

Atualmente as lutas são múltiplas e buscam cidadanias possíveis em territórios como o da saúde, da educação, do trabalho, das relações familiares e muitos outros. A Psicologia, tendo a subjetividade como foco, apresenta um papel fundamental nessa luta. Desde a despatologização da população LGBT, até a denúncia dos efeitos que o estigma e o preconceito têm nesses processos de subjetivação.

O conhecido orgulho na diversidade sexual e de gênero foi construído mediante essa luta. Hoje, comemoremos a luta histórica, comemoremos a diversidade sexual e de gênero. Mas não esqueçamos das lutas cotidianas. Diga não para a homofobia!

Livro sugerido:
- Facchini, R. (2005). Sopa de Letrinhas: Movimento homossexual e Produção de Identidades Coletivas nos anos 90. Rio de Janeiro: Garamond.

Homossexualidade classificada no CID-9, para, neste dia, não esquecermos do preconceito:
- Laurenti, R. (1984). Homossexualismo e a Classificação Internacional de Doenças. Revista de Saúde Pública, 18(5), 344-347. https://dx.doi.org/10.1590/S0034-89101984000500002

Gustavo Affonso Gomes – Psicólogo, mestre em Psicologia Social e especialista em Terapia Sistêmica